São Paulo - Há vida, muita vida nas lavouras e pastagens, além das próprias plantas e das pragas e doenças que costumam atacá-las. De vermes de solo, passando por minhocas, insetos, anfíbios, répteis, aves e até mamíferos que estão no topo da cadeia alimentar, inúmeras espécies de animais selvagens podem ser vistas se não morando, pelo menos frequentando assiduamente o ambiente agrícola.

Os animais vão em busca de alimento, abrigo e até de uma via mais segura do que estradas de rodagem para se deslocar de um remanescente de mata a outro.

Pesquisa financiada pela Fapesp e realizada pela Embrapa Monitoramento por Satélite, de Campinas (SP), na Bacia do Rio Pardo, nordeste do Estado de São Paulo, cujos municípios abarcam 41.175 quilômetros quadrados, ou 16,5% da área total do Estado, identificou nada menos do que 209 espécies de animais, entre anfíbios, répteis, aves e mamíferos em lavouras como cana, laranja e outras frutíferas, café, florestas plantadas e pastagens. Incluem-se nesta lista animais raros, como o papagaio-do-mangue (Amazona amazonica); o gato-mourisco (Herpailurus yagouaroundi); o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla); a onça-parda (Puma concolor) e o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus).

Todos foram identificados e relatados no trabalho Levantamento faunístico e avaliação da biodiversidade em agroecossistemas da Bacia do Rio Pardo, realizado pelo doutor em ecologia e pesquisador da Embrapa José Roberto Miranda, além dos biólogos Vagner Roberto Ariedi Jr. e Dennis Driesmans Beyer e do doutor em ecologia e pesquisador da Embrapa Fabio Enrique Torresan.

Adaptação - Miranda, que é especializado em vertebrados, comenta que, assim como os seres humanos se adaptam, os bichos também podem se adaptar a novos ambientes. "Um rato selvagem conhecido como catita, por exemplo, que vive cerca de um ano, pode adaptar-se geneticamente muito mais rapidamente a novos ambientes como lavouras, geração após geração", diz. "A cana crua é um farto alimento para várias espécies selvagens", continua Miranda, acrescentando que o sistema produtivo só tem a ganhar com esse aumento de biodiversidade, sobretudo no controle natural de pragas e doenças.

"O segredo é manter a temperatura e a umidade do solo em níveis que possibilitem a vida microbiológica, que é o início da cadeia alimentar, além de evitar queimadas." A técnica do plantio direto, por exemplo, que mantém uma espessa camada de palha cobrindo o solo entre um plantio e outro, é excelente para esta finalidade. E a técnica de colheita de cana crua, que evita queimadas, também permite maior biodiversidade. "Além disso, quanto menos pesticidas forem aplicados, mais viável se tornará a vida e a presença das mais diferentes espécies de invertebrados e vertebrados nas lavouras", finaliza. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo/ Agrícola .

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