RIO - A criação da companhia aérea Azul e os acordos feitos com outras empresas brasileiras devem aumentar a fatia de entregas da Embraer feitas para o mercado nacional de aviação. Atualmente, a empresa destina cerca de 96% de sua produção para o exterior, mas esse percentual deve cair, de acordo com o presidente da companhia, Frederico Fleury Curado.

Hoje, a Embraer tem em carteira 41 encomendas firmes para empresas nacionais, das quais 36 para a Azul - criada por David Neeleman e com início das operações previsto para dezembro deste ano ou janeiro de 2009 - e cinco para a Trip Linhas Aéreas. A Azul tem ainda 40 opções de compra, enquanto a Trip tem outras 15 a 20 opções.

Isso é uma pequena revolução para a frota que temos hoje. O número pode chegar a quase 100 em cinco ou seis anos, algo bem diferente do passado, frisou Curado, que participou hoje de conferência na Coppe/UFRJ.

Este ano a Embraer espera entregar entre 195 a 200 aviões, sendo cinco, em dezembro, para a Azul. Curado revelou que a companhia de Neeleman negocia com outras empresas aéreas a antecipação do recebimento dos aviões Embraer. A negociação é para que a Azul consiga furar a fila, ficando com encomendas destinadas a outras companhias.

Nós entregaremos para eles os cinco aviões em dezembro. O que eles estão tentando fazer é buscar aviões mais cedo no mercado com outras empresas, explicou. Eles estão conversando com operadores nossos, que compram da Embraer, que talvez vendam para eles os aviões. Não tem nada a ver com entregar mais cedo, acrescentou.

O executivo disse ainda que o atual nível de preços do querosene de aviação (QAV) e do petróleo pode fazer com que os aviões a turboélice voltem a ser utilizados. Curado disse que não há estudos na Embraer para produzir esse tipo de aeronave comercial e que, embora não descarte essa possibilidade, a decisão cabe às empresas aéreas.

Apesar do nível de preços dos combustíveis, Curado não acredita que os biocombustíveis serão uma alternativa para a aviação comercial nos próximos anos.

Não imagino, em 15 ou 20 anos, um avião comercial com biocombustível, disse, acrescentando que não há conversas entre Embraer e Aerolíneas Argentinas para a venda de aeronaves à companhia aérea argentina.

(Rafael Rosas | Valor Online)

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