A Embraer anunciou ontem ter entregue 52 aviões no segundo trimestre do ano, elevando o total de aeronaves entregues no primeiro semestre para um número recorde de 97 unidades. A terceira maior fabricante de aviões do mundo fechou o trimestre passado com uma carteira de pedidos firmes de US$ 20,7 bilhões, ante US$ 15,6 bilhões de um ano antes, valor até então recorde para a empresa.

No segundo trimestre do ano passado, a Embraer havia entregue 36 aviões, num total de 61 unidades no primeiro semestre de 2007.

Em aviação comercial, a Embraer entregou 43 aviões no segundo trimestre, dos quais 21 unidades do modelo 190. O segmento, no acumulado do ano, tem entregas de 81 aparelhos. A carteira total do setor comercial tem 1.762 pedidos firmes, dos quais 478 em carteira.

Já na aviação executiva foram nove entregas do modelo Legacy 600 e, no primeiro semestre, de 16 unidades do mesmo avião. A Embraer informou que a nova família de jatos executivos leves Phenom tem contratos firmes "se aproximando de 800 aeronaves".

A empresa manteve sua previsão de entregas no ano entre 195 e 200 unidades, "com tendência para o limite superior, além de dez a 15 jatos (executivos) Phenom 100", informou a companhia em comunicado.

Cenário ruim

Apesar dos números positivos apresentados pela empresa, o cenário da aviação mundial não é dos mais promissores. Com a disparada dos preços do petróleo, boa parte das empresas aéreas em todo o mundo atravessa um período particularmente difícil, por causa da elevação dos custos.

O resultado disso vem sendo sentido também pelos fabricantes de aviões, especialmente no caso dos grandes aviões de passageiros. As projeções de analistas internacionais são de que pelo menos um terço das encomendas feitas aos dois grandes fabricantes mundiais, a americana Boeing e a européia Airbus, sejam canceladas ou tenham a entrega postergada.

"A Embraer não teve ainda cancelamento de entregas. Mas, indiretamente, pode haver impacto no negócio da empresa", disse na semana passada o analista do setor aeroespacial da consultoria Raymond James, Eduardo Puzzielo. Ele lembrou que uma das empresas que deverá reduzir suas encomendas com a Airbus, a americana JetBlue, é cliente da Embraer. A JetBlue encomendou 101 jatos da família 190 para serem entregues até 2011.

Até agora, o maior efeito da alta do petróleo na Embraer foi sobre as ações da empresa. Nos últimos seis meses, as ações da empresa na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) perderam cerca de 50% de seu valor.

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