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Londres, 12 jul (EFE).- A disputa entre a Embraer e a canadense Bombardier no segmento de aviões menores, a alta do preço do petróleo, e a rivalidade entre o europeu Airbus e a americana Boeing marcarão o Farnborough International Airshow, famosa feira aeronáutica da localidade inglesa.

O evento, que começará na segunda-feira na localidade ao sul de Londres, é bianual e este ano realiza sua 46ª edição e seu 60º aniversário, e receberá até 20 de julho cerca de 1.500 expositores de 40 países.

No segmento de aviões menores, dois grupos, a canadense Bombardier e a Embraer - terceira e quarta fabricantes mundiais de aeronaves, respectivamente -, travarão sua batalha particular.

A Embraer chega a Farnborugh após anunciar no último dia 7 que entregou 97 aeronaves no primeiro semestre de 2008, número 59% maior que o do mesmo período do ano passado e com o qual bateu seu recorde semestral de entregas.

Já a Bombardier poderá aproveitar a vitrine da feira para lançar um novo avião com capacidade para mais de 100 passageiros.

Além disso, a sombra da alta dos preços do petróleo, que nesta sexta-feira superou US$ 147 por barril no mercado de futuros de Londres, também será assunto de destaque em Farnborough, pois aumentou consideravelmente os custos das companhias aéreas.

Segundo a Associação do Transporte Aéreo Internacional (Iata, em inglês), 25 companhias aéreas faliram ou suspenderam suas operações no primeiro semestre deste ano, devido, entre outros fatores, à alta do preço do petróleo.

Além da corrida pela commodity, a atual desaceleração da economia mundial e o impacto da crise creditícia levam os analistas a crer que muitas companhias aéreas pensarão duas vezes antes de irem às compras.

"Há a ligeira sensação de que caminhamos diretamente em direção ao precipício, mas eu não acho que as coisas estejam tão mal", disse o consultor aeronáutico Richard Aboulafia, da empresa Teal Group.

Alguns observadores consideram que a indústria aeronáutica passa pelo pior momento desde a crise causada pelos atentados contra os Estados Unidos em 11 de setembro de 2001.

Nesse contexto, ninguém acredita que a feira de Farnborough igualará os 600 pedidos firmes contabilizados no ano passado no Salão de Aeronáutica e do Espaço Paris Le Bourget, na França, a outra grande reunião bienal do setor, junto com o britânico.

De qualquer forma, os altos preços do petróleo beneficiaram as companhias aéreas nacionais de países do Golfo Pérsico, os grandes beneficiados com o alto preço do petróleo.

A Etihad Airways, companhia aérea dos Emirados Árabes Unidos, pretende comprar entre 50 e 100 aparelhos à Airbus e à Boeing, e a Qatar Airways deve também anunciar pedidos.

Além disso, a atenção da feira será centrará mais uma vez no embate entre a Airbus e a Boeing, as duas maiores fabricantes mundiais de grandes aeronaves. Mas, nas atuais circunstâncias, não se espera que recebam muitos novos contratos.

Em julho passado, a Airbus - filial do grupo aeroespacial e de defesa EADS - informou que no primeiro semestre do ano teve 487 encomendas de aviões (número inferior aos 680 conseguidos na primeira metade de 2007), 12 a mais que a Boeing.

Apesar do aumento do preço do petróleo, os dois gigantes se consolam com a idéia de que a alta do preço do petróleo poderia incentivar as companhias aéreas a adquirir aviões mais eficientes no consumo de combustível, como o Airbus 380 (maior avião comercial do mundo) e o Dreamliner (aparelho da Boeing de tamanho médio).

"Vemos uma maior demanda de substituição de aviões menos eficientes e mais velhos", disse na quarta-feira passada Randy Tinseth, vice-presidente de marketing de aviões comerciais da Boeing, ao apresentar em Londres o relatório anual da companhia sobre as perspectivas do setor para os próximos 20 anos.

Como é habitual, a feira de Farnborough dedicará os primeiros cinco dias para os contatos entre profissionais do setor e, durante o fim de semana, abrirá suas portas ao público. EFE pa/fh/an