BRASÍLIA - Ao voltar a negar a acusação de envolvimento em desvio de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, afirmou hoje no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara que é impossível qualquer tipo de fraude no banco de fomento estatal. Também negou conhecer as pessoas citadas pela Polícia Federal na chamada operação Santa Tereza.

O pedetista continua sua defesa amanhã. A sessão de hoje durou pouco mais de duas horas e foi interrompida por causa da Ordem do Dia no plenário da Câmara. O relator do pedido de cassação de Paulinho, deputado Paulo Piau (PMDB-MG), não quis adiantar seu voto, mas afirmou: Eu não gostaria de estar na pele do deputado Paulinho, mas precisamos reler a documentação e ouvir as testemunhas, antes de decidir.

O relator, que afirmou já ter lido os documentos encaminhados pela PF, tem prazo até 15 de setembro para apresentar seu parecer.

Paulinho apresentou-se tranqüilo e leu trechos de um texto entregue ao Conselho de Ética para apresentar várias justificativas às acusações, e chegou a dizer que é outra pessoa o Paulinho citado em gravação sobre divisão de dinheiro. Nego, veementemente, que eu tenha qualquer participação naquela divisão, afirmou ele.

Segundo o deputado, seu ex-assessor João Pedro de Moura, indicado pela Força Sindical para o conselho do BNDES, teria usado seu nome para obter vantagens.

Ele também disse que a organização não-governamental Meu Guri, presidida por sua mulher Elza Pereira, não tem ligação com outras ONGs citadas no inquérito da PF como beneficiárias do suposto desvio de dinheiro. Ele admitiu que ONG Meu Guri recebeu recursos do BNDES, mas citou que recebeu também de muitas outras entidades.

O deputado enunciou passo a passo os procedimentos adotados pelo BNDES para o acolhimento de propostas e liberação de financiamentos, para convencer o Conselho de Ética da impossibilidade de irregularidades.

(Valor Online)

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