Para os países membros, que representam 50% do PIB mundial, guerra cambial precisa ser freada para garantir equilíbrios comerciais

O Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec) expressou neste sábado sua rejeição à chamada "guerra das divisas" e defendeu a manutenção dos desequilíbrios nas balanças comerciais em "níveis sustentáveis". Os responsáveis de Finanças desse fórum, que reúne 21 economias, responsáveis por cerca de  50% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, concluíram neste sábado um encontro de dois dias em Kioto (Japão) com um chamado para que o valor das divisas seja fixado pelo mercado e reflita os fundamentos econômicos.

Essa mensagem será repetida na cúpula de chefes de Estado e de Governo do Grupo dos Vinte (G20, reúne os países ricos e os principais emergente) e Apec, que na próxima semana se reunirão em torno da recuperação econômica mundial ainda ameaçada pela "incerteza", como assinalou neste sábado em Kioto.

Os 21 países da Apec, entre estes as três primeiras economias - Estados Unidos, Japão e China - e os latino-americanos Chile, México e Peru, garantiram neste sábado que refrearão a "desvalorização competitiva" das divisas, na busca de um crescimento "mais equilibrado" na região.

A necessidade de lutar contra os desequilíbrios comerciais esteve entre os principais pontos do encontro de Kioto, que teve início após o anúncio do Federal Reserve (Fed, banco central americano) injetar US$ 600 bilhões no mercado e entre as constantes pressões de Washington à China para que permita a apreciação do iuane, de acordo com o tamanho real da economia chinesa.

Estados Unidos, que tem um forte déficit comercial enquanto China administra superávit, quer que "a economia mundial se recupere, que o crescimento seja sustentável e que não ressurjam desequilíbrios excessivos no comércio", como ressaltou o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, ao fim da reunião.

Geithner, que propôs aos sócios do G20 limitar em 4% do PIB o déficit ou superávit por conta corrente, assegurou que seu país é favorável ao dólar forte e a uma "cooperação que reduza o risco de que o futuro crescimento seja ameaçado pelo ressurgimento de grandes desequilíbrios externos". "Ninguém em  são julgamento, que entenda de economia, pode sugerir que a maneira de alcançá-lo é impondo limitações quantitativas ou metas duras", assinalou.

Por sua vez, o ministro de Finanças japonês, Yoshihiko Noda, especificou que não estão sendo debatidas metas numéricas no encontro de Apec, cujas decisões não são vinculativas. A fragilidade do dólar frente ao iene motivou em 15 de setembro a primeira intervenção do Governo japonês no mercado de divisas em mais de seis anos, enquanto outros países favorecem uma moeda fraca para impulsionar suas exportações.

O fórum Apec apoiou neste sábado em Kioto as "políticas conducentes para reduzir o excesso dos desequilíbrios e a favor de manter os desequilíbrios por conta corrente em níveis sustentáveis". Seu comunicado final alertou para o risco que representa "o volume significativo" de fluxos de capital que retornam às economias emergentes e reafirmou sua rejeição ao protecionismo e apoio à liberalização comercial.

Os membros deste fórum somam 44% do comércio mundial e 40% da população global. Do encontro de Kioto, de caráter ministerial, participaram vários vice-ministros e diretores gerais de Finanças, como no caso do México, Peru, Chile e China, devido ao fato de que dentro de cinco dias será realizada em Seul a cúpula do G20 e imediatamente a de Apec em Yokohama (Japão). O fórum Apec é formado Austrália, Brunei, Canadá, Chile, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, Filipinas, Hong Kong, Indonésia, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Papua Nova Guiné, Peru, Rússia, Cingapura, Taiwan, Tailândia e Vietnã. EFE psh/dm

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