O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, vai apresentar hoje, em Portugal, para líderes de países ibero-americanos, uma proposta para aumentar a regulação do mercado financeiro internacional. Faremos um resumo sobre nossa avaliação a respeito da questão regulatória do sistema financeiro global, dos problemas que geraram essa crise e das medidas necessárias até agora, disse Meirelles.

O encontro de um dia no Porto faz parte da Reunião Extraordinária dos ministros de finanças e presidentes de bancos centrais ibero-americanos e tem como objetivo formular uma posição comum de Brasil, Portugal, Espanha e outros países da América de língua espanhola para ser apresentada na reunião do G-20, em abril.

Meirelles comentou a reportagem publicada ontem no Estado, que revela que a queda de arrecadação pode comprometer os programas de estímulo da economia. "Não há dúvida de que todos os fatores de arrecadação serão levados em conta pelo governo, mas certamente nossa posição é fortalecida, inclusive em termos de finanças públicas."
Para ele, o Brasil está enfrentando a crise em condições melhores do que no passado e numa situação que seria também vantajosa em relação a outras regiões do mundo. "Mas isso não quer dizer que não temos de enfrentar alguns problemas iminentes."
Meirelles se sente seguro pelo fato de o Brasil ser credor líquido internacional e manter reservas internacionais elevadas. Além disso, a crise e a desvalorização cambial fizeram com que houvesse uma queda da dívida pública relacionada ao Produto Interno Bruto (PIB) - antes um pouco acima de 40%, hoje ao redor de 36%.

Questionado a respeito da previsão de crescimento do País, o presidente do BC acredita que será superior à média da economia internacional. "De acordo com a previsão da maioria dos analistas, o Brasil deverá ter um crescimento acima da média mundial. Devemos ter uma desaceleração por um certo período, mas não impedirá um crescimento substancialmente superior", diz. Meirelles só evitou falar em metas de inflação por causa da proximidade da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para 10 e 11 de março.

CONTRA O PROTECIONISMO
Segundo o secretário da Reunião Ibero-Americana, Enrique Iglesias - também ex-presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) -, a reunião de ontem deverá levar ao G-20 uma posição contra o protecionismo econômico. "Precisamos denunciar o protecionismo, recordando que os efeitos da crise de 1930 ocorreram fundamentalmente porque houve abusos de protecionismo. É bom que tenhamos consciência disso."
Ele criticou o fato de alguns países manterem posição dúbia sobre o tema. "Vemos declarações muito bonitas nos fóruns internacionais, mas em todos os lados aparecem medidas protecionistas muito preocupantes", afirmou. Para Iglesias, o G-20 deveria ressaltar que o protecionismo é, hoje, o "pior inimigo" para solucionar a crise internacional.

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