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Em plena crise, número de bilionários quase dobra na Rússia

Sergio Imbert. Moscou, 15 mar (EFE).- A crise econômica não foi obstáculo para que o número de bilionários na Rússia praticamente dobrasse em 2009, com a notável presença de representantes do enfraquecido setor metalúrgico.

EFE |

Enquanto a lista das pessoas mais ricas do planeta publicada nesta semana pela revista americana "Forbes" constata que o número de bilionários no mundo pulou de 793 para 1.011, na Rússia eles passaram de 32 para 62.

Com isso, a Rússia passou a ser o país europeu com mais bilionários e o terceiro, em nível mundial, atrás apenas dos Estados Unidos (403) e China (64), mesmo depois de o Produto Interno Bruto (PIB) russo ter sofrido uma contração recorde de 7,8% no ano passado.

Há um ano, a crise tinha reduzido o número de bilionários russos de 110 para 32, enquanto a fortuna total dos cem cidadãos mais ricos diminuiu em 2008 de US$ 522 bilhões a US$ 140 bilhões.

Em 2009, o líder da parte russa do ranking mundial é o magnata do setor metalúrgico Vladimir Lisin, 32º na lista global da "Forbes", que em um ano multiplicou por três sua fortuna pessoal, que chega a US$ 15,8 bilhões.

Em seguida, vêm Mikhail Prokhorov, também do setor metalúrgico, com US$ 13,4 bilhões (US$ 4,1 bilhões a mais do que um ano antes), e o co-proprietário de Alfa-Bank e da companhia petrolífera TNK-BP, Mikhail Fridman, que dobrou sua fortuna e agora tem US$ 12,7 bilhões.

Completam o 'top ten' russo os empresários Roman Abramovich (US$ 11,2 bilhões), Oleg Deripaska (US$ 10,7 bilhões), Vagit Alekperov (US$ 10,6 bilhões), Vladimir Potanin (US$ 10,3 bilhões), Alexei Mordashov (US$ 9,9 bilhões), Viktor Rashnikov (US$ 9,8 bilhões) e Dmitri Rybolovlev (US$ 8,6 bilhões).

Em declarações à edição russa da "Forbes", o presidente do grupo editorial, Steve Forbes, a quantidade de milionários russos na lista depende diretamente dos preços mundiais das matérias-primas exportadas pelo país.

Entre outras particularidades, Forbes apontou que os empresários russos mais prósperos estão estreitamente ligados ao Estado, que lhes estendeu a mão no meio da crise, mas preferem fazer seus maiores investimentos no exterior, protegendo seus capitais das estabilidades políticas internas.

No mesmo sentido se pronunciou há poucos meses o presidente russo, Dmitri Medvedev, que exigiu o início de uma profunda modernização econômica e industrial para que não haja mais dependência das rendas herdadas da extinta União Soviética e da mera exportação de matérias-primas.

A imprensa local destacou que sete dos dez russos mais ricos conseguiram suas fortunas no setor metalúrgico. As exceções são Fridman, Alekperov - dono da companhia petrolífera Lukoil - e Rybolovlev, o "rei dos fertilizantes".

Especialistas locais explicam o crescimento das grandes fortunas russas com a particular política anticrise do Kremlin, que distribuiu ajudas multimilionárias e empréstimos entre os grandes empresários, deixando de lado as pequenas e médias empresas.

"Essa peculiar política econômica permitiu que muita gente ganhasse dinheiro com a crise, em vez de obter benefícios desenvolvendo a produção", explicou o empresário Roman Bazhok à "Nezavisimaya Gazeta".

As injeções de capital estatal contribuíram para a recuperação da bolsa de valores, o que elevou a capitalização das grandes empresas russas e a de seus proprietários sem que estes se preocupassem em desenvolver ou modernizar a produção.

Segundo Maxim Koshulinski, editor da versão russa da "Forbes", os magnatas russos aproveitaram sua amizade com o poder para conseguir uma vital reestruturação de suas dívidas em plena crise.

"Esse crescimento do número de bilionários é uma prova da monstruosa personalidade antissocial de nosso Estado, e não indica que a Rússia esteja saindo da crise", assegurou o economista Igor Chubais ao jornal econômico "Vedomosti".

Para 2010, os especialistas se mostraram céticos por considerar que o mercado nacional de valores está muito aquecido pelas especulações e que sua eventual correção voltará a reduzir o clube dos bilionários russos. EFE si/bba

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