Tamanho do texto

Em mais um round na briga pela Hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira, de 3.300 MW, a Construtora Norberto Odebrecht decidiu recorrer à Justiça contra o presidente do consórcio Energia Sustentável do Brasil (Enersus), Victor Paranhos.

Por ora, é uma interpelação judicial, que pode dar origem a uma ação penal por calúnia e difamação, impetrada na Vara Criminal da Comarca de Barueri (SP). A Odebrecht lidera o consórcio que venceu o leilão de Santo Antônio, mas perdeu o de Jirau, ambos no Rio Madeira.

O motivo do instrumento judicial foi a declaração do presidente da Enersus de que a construtora estaria fazendo espionagem industrial. Isso porque um relatório enviado pela Odebrecht à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), contestando as mudanças feitas pela Enersus na usina de Jirau, conteria alguns documentos confidenciais, como um cronograma detalhado de obras e a proposta de entrega de turbinas e equipamentos da chinesa Dong Fang.

Na petição, a construtora afirma que o "cronograma detalhado de obras consta de vídeo institucional do Consórcio Enersus", que está no site do consórcio. Além disso, afirma que teve acesso às informações sobre os equipamentos porque participou da concorrência para a construção de Jirau.

Por isso, fez cotações com vários fabricantes, inclusive com a chinesa Dong Fang. A Odebrecht apresentou a troca de e-mails com a empresa. Por fim, a construtora pede que Paranhos confirme ou desminta, dentro de 48 horas, a informação de que foram vítimas de espionagem industrial e de interceptação de mensagens eletrônicas ou escutas telefônicas clandestinas.

Embora o contrato de concessão de Jirau tenha sido assinado ontem, a disputa pelo empreendimento não terminou. A Odebrecht aguardará a decisão da Aneel e do Ibama sobre a alteração do local da usina em nove quilômetros para decidir sobre um recurso na Justiça.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.