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Em momento tenso, negociações na OMC entram em etapa decisiva

Isabel Saco Genebra, 24 jul (EFE).- A tensão subiu ao patamar máximo na reunião ministerial de hoje, em que ministros de 30 potências comerciais, entre elas o Brasil, tentam salvar sete anos de trabalho para a liberalização do comércio mundial, e estima-se que as próximas horas sejam decisivas para o rumo das negociações.

EFE |

Os ministros chegaram há quatro dias a Genebra em resposta a uma convocação do diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), que hoje admitiu que o processo está em uma fase delicada e que "as próximas 24 horas são decisivas".

Agora todos esperam um movimento da Índia, que mostrou uma posição muito dura frente às reivindicações de liberalização dos países ricos, que consideram que as nações emergentes com taxas de crescimento muito elevadas devem abrir seus mercados.

O Brasil considera que os textos de negociação em agricultura e abertura de mercado industriais são aceitáveis e tenta convencer a Índia a dar um passo que melhore o ambiente de discussões.

Negociadores de diferentes países consultados pela Agência Efe coincidiram em descrever como "pessimista" a atmosfera entre as delegações, mas ninguém se atreveu a dizer se a Rodada de Doha fracassará.

O que agora é fundamental é o resultado da reunião que, pelo segundo dia seguido, mantêm os ministros de sete potências comerciais consideradas chaves nesta negociação (Austrália, Brasil, China, Estados Unidos, Índia, Japão e a União Européia).

Acredita-se que se essas potências alcançarem um acordo, a possibilidade de um consenso entre os 153 membros da OMC será real.

Apesar disso, alguns países fora desse grupo advertiram que não assinarão os textos negociados tal como estão.

Em meio a esta situação, caiu como um balde de água fria a advertência de hoje do presidente da França, Nicolas Sarkozy, de que seu país não assinará o acordo tal como está, o que aumenta o clima de incertezas.

O comissário de Comércio da UE, Peter Mandelson, alertou hoje o Conselho de Ministros do bloco europeu - reunido de maneira extraordinária em Genebra - sobre o "risco de um fracasso".

A UE mantém a posição de que já realizou concessões suficientes e que agora deseja receber estímulos dos outros membros da OMC, particularmente quanto à abertura dos mercados industriais dos países emergentes, onde vê grandes oportunidades de negócios.

Os EUA compartilham esse interesse com a UE e, para isso, anunciou no segundo dia de reuniões que reduziria seus subsídios agrícolas a um limite de US$ 15 bilhões anuais, uma oferta recebida com frieza pelos outros membros, particularmente pelos países em desenvolvimento.

O presidente americano, George W. Bush, chamou hoje o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, para "falar da Rodada de Doha", segundo confirmaram à Efe fontes negociadoras.

As conversas ainda não deram frutos e parece que hoje os presidentes quiseram discursar para destravar algo que seus ministros não estão conseguindo.

Bush disse a Singh que ambos os países devem mostrar liderança para que se chegue a um resultado positivo.

Horas antes, o ministro das Relações Exteriores Celso Amorim e o ministro do Comércio da Índia, Kamal Nath, mantiveram um encontro, que conteceu logo depois de o chanceler brasileiro se reunir com a representante de Comércio dos EUA, Susan Schwab.

Há vários anos, os países emergentes viram evaporar suas possibilidades de aumentar sua competitividade agrícola, já que no mercado internacional certos produtos americanos ficam com preços mais baixos que os produtos da África graças aos milionários subsídios concedidos por Washington.

Os negociadores consideram que esta proposta não só é insuficiente, mas tardia.

Teme-se que nas negociações desta noite fique mais clara uma reiteração das posições já escutadas, o esgotamento dos negociadores por uma parte e a frustração de certos países que se sentem excluídos de uma negociação ficou reduzida a sete membros e que pode levar o processo ao fim.

Caso isso ocorra, a liberalização comercial poderá ficar estagnada por vários anos, com os países ricos concedendo subsídios agrícolas como os atuais para manter seus mercados protegidos, enquanto os países pobres continuariam na mesma situação no comércio internacional. EFE is/ab/rr

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