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Em meio à montanha-russa dos números, brasileiros já começam a mudar hábitos

A crise econômica global começa a ultrapassar as fronteiras do mercado financeiro e se refletir no dia a dia dos consumidores. O cenário ¿ agravado nas duas últimas semanas - dificulta até o momento qualquer tentativa de resposta à pergunta fundamental: até quando? E, neste clima de incerteza, aquela que tem sido considerada por especialistas como a http://ultimosegundo.ig.com.br/economia/2008/01/22/principais_crises_da_bolsa_da_historia_1161966.html target=_toppior crise mundial desde 1929 faz com que alguns brasileiros comecem a mudar hábitos. Análise: http://ultimosegundo.ig.com.br/bbc/2008/10/09/analise_islandia_e_primeira_vitima_real_da_crise_2006945.html target=_topIslândia é primeira vítima real da crise Entrevista: http://ultimosegundo.ig.com.br/economia/2008/10/12/crise_ja_chegou_ao_pais_duvida_e_sua_extensao_2036071.html target=_topcrise já chegou ao país, dúvida é sua extensão

Luísa Pécora, repórter Último Segundo |

Acordo Ortográfico

Na área financeira do País, os efeitos da crise são evidenciados por sucessivas quedas nos pregões na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que já perdeu 28,5% com sete sessões consecutivas no vermelho e, em duas semanas, teve de acionar o circuit breaker (suspensão dos negócios) por três vezes por ter atingido baixa superior a 10%.

A moeda norte-americana caminha em sentido oposto, registrando altas consecutivas, apesar de atuações do Banco Central. O dólar, que até agosto era cotado a cerca de R$ 1,65, chegou a R$ 2,32 nesta última semana.


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Viagens mais curtas

Na montanha-russa dos números e sem respostas, as viagens dos brasileiros já estão mais curtas. Segundo uma vendedora da CVC Turismo, nos últimos quinze dias houve uma notável queda na procura por pacotes internacionais. Ao mesmo tempo, cresceu o número de clientes que optou por viagens domésticas, sobretudo para o Nordeste. A vendedora, que pede para não ter o nome divulgado, explica que com o dólar em alta os brasileiros têm optado mais por viagens nacionais.

O brasileiro que estava indo para Miami ou Buenos Aires, que estavam baratíssimos, já vai pensar duas vezes

Tal movimento já configura uma tendência segundo entidades do setor. Para o turismo é um momento de parada. Aquela pessoa que ia fechar hoje um pacote para o exterior vai parar para pensar, diz o presidente da Associação Brasileira de Viagens (Abav), Carlos Alberto Amorim Ferreira. A opinião é a mesma de Álvaro Bezerra de Mello, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih): o brasileiro que estava indo para Miami ou Buenos Aires, que estavam baratíssimos, já vai pensar duas vezes, acrescenta. A expectativa, de acordo com a Abav, é que haja um aumento de 40% por viagens domésticas.

O economista Evandro Meira desistiu não apenas de levar a família para os Estados Unidos, em fevereiro, como decidiu suspender todas as viagens por pelo menos seis meses. Ele e a mulher também estão cortando gastos supérfluos, como idas a restaurantes e festas.  É hora de apertar os cintos, pois a crise é muito grave e as coisas vão ficar muito ruins, afirmou ele, que nos últimos quatro meses perdeu 70% do dinheiro que tinha aplicado em investimentos. Como poucos brasileiros têm recurso na Bolsa, ainda não se sentiram afetados. Mas a crise não é da Bolsa, é do mercado financeiro, e vai atingir a todos, completou.

Outro economista, Cláudio Miori, também está repensando a viagem que faria com a mulher para a Europa. Apesar de ter perdido parte do dinheiro que tinha investido em ações, ele ainda mantém a calma e diz que é cedo para saber o que vai acontecer. O impacto ainda não é tão grande porque a crise não chegou aos bens de consumo, afirmou.

AE
Operadores durante o pregão da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), em São Paulo
Operadores durante pregão da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F)
 
Stand by

É o que diz também Emilio Alfieri, economista da Associação Comercial de São Paulo, que até agora não registrou aumento de preços no varejo. Segundo ele, os varejistas estão em compasso de espera, aguardando dados econômicos referentes ao mês de outubro, que só começaram a ser analisados de fato desde a última segunda-feira, passado o primeiro turno das eleições.

Varejistas estão em compasso de espera, aguardando dados econômicos referentes ao mês de outubro

Segundo Alfieri, o mercado espera diversos tipos de informações, como a estabilização do dólar, a reunião do Copom, marcada para os dias 28 e 29 deste mês, que vai definir a taxa de juros, além de dados gerais sobre o comportamento do consumidor brasileiro. Em setembro não aconteceu nada, não impactou nada, afirma Alfieri. Entre os consumidores médios, que ganham entre R$ 1000 e R$ 1500, só 4% tinham ouvido falar da crise.

Apesar de ainda ser difícil fazer previsões, o economista acredita que o dólar já não tem condições de voltar a ser cotado a R$ 1,70. Por isso, uma vez que o valor da moeda americana for estabilizado, deverá causar aumento nos preços de aparelhos eletrônicos e produtos importados de todo tipo, como alimentos, roupas, calçados e veículos.

Reuters
Casa de câmbio próxima à Bolsa
Casa de câmbio próxima à Bolsa
Gerentes de duas grandes lojas de eletroeletrônicos, entrevistados pela reportagem do Último Segundo, afirmam que nenhum preço foi reajustado e que tanto o movimento como as vendas continuam normais. Um deles disse acreditar que alguns aparelhos, como os televisores de LCD, possam ficar mais caros, já que sua fabricação exige o uso de peças estrangeiras.

Já a gerente de uma loja de perfumes importados afirmou que os efeitos da crise estão começando a aparecer, já que a valorização da moeda norte-americana aumentou o valor do imposto sobre produtos importados. A alta foi repassada ao cliente e, como conseqüência, as vendas diminuíram.

No setor de alimentos, os preços continuam os mesmos, mas Sussumu Honda, presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), diz que a alta do dólar poderá encarecer produtos que vêm do exterior e são altamente consumidos no fim do ano, como bebidas, castanhas, azeite e condimentos. O peru de Natal, porém, deve escapar do reajuste, pelo fato de seu preço já ter sido tabelado.

As pessoas que estavam pensando em financiar um carro ou uma geladeira certamente vão sentir diferença, e muita gente não vai conseguir comprar o que queria

A maior e mais imediata preocupação da Abras é com a farinha de trigo, que corresponde a um volume muito alto de importações no Brasil. Segundo ele, os moinhos já sinalizaram que, com a valorização do dólar, os preços podem subir cerca de 10% nos próximos 15 ou 20 dias. Se a tendência se confirmar, o pãozinho francês vai ficar mais caro. Mas ainda não há nenhuma empresa remarcando preços, acrescenta Honda. Por hora, estamos em stand by.

Parcelinhas mais difíceis

O cenário de indefinição dos mercados deixa o consumidor preocupado e sem saber ao certo o que deve fazer. Por enquanto, só estou com medo, afirma Francisco Figueira, que não mudou nenhum hábito devido à crise, mas ressalta: pelo que estou acompanhando, essa chuva ácida vai pegar todo mundo.

Os movimentos dramáticos dos mercados financeiros também não mudaram o dia a dia de Danielli Iapichini, 27 anos, que há anos vem poupando dinheiro para comprar um carro. Eu sei que a economia está louca, mas não me senti impactada diretamente, conta ela que, por ser autônoma, acha mais seguro comprar o carro à vista.

Caso estivesse de olho em um financiamento, ela poderia não estar tão tranqüila. Afinal, é no mercado de crédito que a crise mostra efeitos mais claros, ao menos até agora. As pessoas que estavam pensando em financiar um carro ou uma geladeira certamente vão sentir diferença, e muita gente não vai conseguir comprar o que queria, afirma Miguel de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

Reuters
Operador na Bolsa após tarde de negociação
Operador após tarde de negociação
Dados preliminares da pesquisa mensal de juros da Anefac, relativas ao mês de setembro, mostram que há três fatores dificultando a vida do consumidor que quer comprar a prazo. Primeiro, nota-se uma maior seletividade por parte das instituições financeiras, que estão mais atentas ao grau de endividamento e ao comportamento de renda de seus clientes.

Ao mesmo tempo, a taxa de juros para operações de crédito está subindo e em tendência de alta. Para pessoa física, o valor era de 7,39% em agosto e passou para 7,45% em setembro. No caso de pessoa jurídica, a taxa foi de 4,27% para 4,33%.

Além disso, a redução dos prazos de financiamento está deixando as parcelas mais caras. Quem comprava um carro em agosto, podia parcelá-lo em até 72 vezes, mas em setembro o prazo máximo passou para 60 meses. No caso de bens diversos, como geladeiras, móveis e computadores, o prazo foi de 36 para 24 meses.

"Depois que descobriram a penicilina, quem pega pneumonia vai ficar doente, vai tomar remédio, mas não vai morrer"

O presidente da Anefac acredita ser significativo o fato de grandes empresas, como a GM e a Fiat, terem anunciado que darão férias coletivas a seus funcionários, justamente no período do ano em que a produção deveria aumentar. Eles sabem que vão vender menos, e por isso vão produzir menos, explica Miguel de Oliveira.

Duas visões

As más notícias do mercado e o clima de incerteza não devem, porém ser motivo de histeria, na avaliação de Emilio Alfieri, da ACSP. Para ele, embora a crise atual seja tão grave quanto a de 1929, é preciso ter calma ao fazer tal comparação. Afinal, na época as autoridades monetárias não conheciam a macroeconomia, estudo que relaciona as diferentes tendências do mercado (como produção, renda, empregos e preços).

A importância desse ramo da ciência econômica para solucionar problemas pode, segundo ele, ser exemplificada com uma metáfora. A macroeconomia é a penicilina da economia. No passado, se alguém pegava pneumonia, sabia que ia morrer. Depois que descobriram a penicilina, quem pega pneumonia vai ficar doente, vai tomar remédio, mas não vai morrer, explica o economista, para quem a crise atual pode causar recessão por um ano, mas não uma década de depressão, como aconteceu em 1929.

Evandro Meira, o economista que resolveu apertar os cintos, é mais pessimista. Tivemos a sorte de a crise estourar no último trimestre, que é o mais forte do ano. Mas, mesmo assim, o cenário é muito feio, afirma.

Sussumu Honda, da Abras, prefere deixar a previsão para depois. Tudo indica que não teremos céu de brigadeiro, mas as notícias estão começando a melhorar, diz ele, referindo-se às intervenções do Banco Central para conter a alta do dólar. Nas próximas semanas, teremos mais noção do que está acontecendo e colocaremos a cabeça no lugar, completa.

Turbulência nos mercados:

  • Entenda a disparada do dólar e seus efeitos
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    José Paulo Kupfer responde:

     

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