Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Em meio a crise, pacote dos EUA caminha para votação

Por Richard Cowan e Patrick Rucker WASHINGTON (Reuters) - Após um acordo preliminar, os legisladores norte-americanos se preparavam para votar na segunda-feira o pacote de resgate a Wall Street de 700 bilhões de dólares para comprar papéis podres e estancar a crise financeira do país, enquanto a Europa corria para salvar três bancos em dificuldades.

Reuters |

Com os mercados globais acompanhando cada movimento em Washington, um senador republicano disse que o pacote pode ser votado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado na segunda-feira. Enquanto isso, a crise aterrissou no outro lado do Atlântico e o banco belga-holandês Fortis e a concessora de hipotecas britânica Bradford & Bingley viram a nacionalização.

O presidente dos EUA, George W. Bush, disse em comunicado no domingo que o pacote fornece as ferramentas e os recursos para proteger a economia do país de uma quebra geral. Ele expressou confiança de que o plano será aprovado rapidamente.

O dólar operava em alta ante o euro na noite de domingo, enquanto os futuros de Wall Street operavam perto da estabilidade. Analistas prevêem um rali dos mercados na segunda-feira, mas alertaram que ele não deve ser duradouro.

A bolsa asiática iniciou o pregão na noite de domingo (horário de Brasília) em ligeira queda, mas logo depois apontava alta de 0,31 por cento.

"O pacote é apenas um band-aid sobre um problema muito grande. Vai ajudar Wall Street no curtíssimo prazo, mas não ajudará a economia real. A economia dos EUA enfrenta desafios em muitas frentes", disse Kathy Lien, diretora de pesquisa cambial do GFT Forex em Nova York.

A presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, a democrata Nancy Pelosi, disse que o pacote não é apenas um "resgate de Wall Street", mas também uma forma de proteger os contribuintes e a economia. Ela enfatizou que o plano precisa de apoio dos dois partidos do país.

O líder da maioria do Senado, Harry Reid, disse que o Senado pode votar o projeto até quarta-feira.

O secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, afirmou estar confiante de que o plano será suficiente para estimular os mercados financeiros e o fluxo de crédito.

Acordo

Os líderes do Congresso dos dois partidos dos EUA chegaram a um acordo inicial no domingo, mas disseram que ainda há dúvidas sobre se o programa, que usará dinheiro do contribuinte para comprar ativos hipotecários podres, é a salvação.

"Vamos dar nitroglicerina para evitar um ataque cardíaco e devolver um pouco de cor a nossos rostos pálidos", disse Sung Won Sohn, professor de economia da Universidade da Califórnia.

Com muitos norte-americanos lutando para salvar seus lares da execucação de hipotecas, os legisladores têm de enfrentar a reação dos cidadãos comuns contra um plano de salvação para os bancos de Wall Street, que muitos culpam por criarem um mercado imobiliário superaquecido e empréstimos arriscados.

Nas últimas horas das conversas, democratas e republicanos correram para incluir salvaguardas para os contribuintes e provisões que permitiriam ao governo recuperar recursos se os preços imobiliários se restabelecerem e seus créditos ruins se valorizarem.

O líder republicano da Câmara disse que o risco para o contribuinte foi reduzido.

A legislação proposta desembolsaria os 700 bilhões de dólares em etapas. Os primeiros 250 bilhões de dólares seriam liberados quando a legislação for aprovada, enquanto outros 100 bilhões poderiam ser gastos se o presidente decidir ser necessário. Os restantes 350 bilhões estariam sujeitos a uma análise do Congresso.

Os líderes republicanos da Câmara dos Deputados gastaram mais de duas horas em uma reunião fechada no domingo respondendo a membros da Câmara questões sobre o pacote.

Não havia sinais de que a aprovação poderia correr perigo após a reunião.

"Eles estão muito mais felizes agora" do que na semana passada, quando ficaram irados com a proposta inicial do Tesouro para salvar Wall Street, disse o deputado James Walsh sobre seus colegas republicanos.

A deputada republicana Marsha Blackburn disse estar tendendo contra o projeto, mas que "provavelmente" ele será aprovado".

"A aprovação do plano é apenas o primeiro passo. O segundo passo é a execução dele e depois restam as dúvidas sobre como os ativos serão comprados", disse Michael Pond, estrategista do Barclays Capital em Nova York.

Pânico

Na Europa, o governo resgatou o grupo financeiro belga-holandês Fortis no domingo, após o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, convocar reuniões emergenciais para salvar um dos 20 principais bancos da Europa.

O primeiro-ministro da Bélgica, Yves Leterme, disse que os governos de seu país, de Luxemburgo e da Holanda investirão 11,2 bilhões de euros (16,4 bilhões de dólares) no banco, que venderá partes do ABN Amro que comprou no ano passado.

Os problemas do Fortis --cujas ações despencaram em um terço na última semana-- começaram após a compra do ABN em um consórcio com o Royal Bank of Scotland e o Santander no ano passado, em um acordo de 70 bilhões de euros (102 bilhões de dólares), bem quando a crise de crédito começou, golpeando o valor dos ativos bancários.

Na Alemanha, o banco Hypo Real Estate está tendo conversações urgentes com o regulador bancário alemão Bafin e o Ministério das Finanças para solucionar os problemas de refinanciamento do banco em meio à crise de crédito, disseram no domingo fontes próximas à situação.

Na Grã-Bretanha, o governo negocia um plano de resgate concessora de hipotecas Bradford & Bingley e a BBC disse no domingo que os ativos de poupança dela serão transferidos para o gigante bancário espanhol Santander.

O governo britânico irá anunciar na segunda-feira o plano de nacionalização da Bradford & Bingley e tomará o controle de 41 bilhões de libras (75 bilhões de dólares) dos negócios de hipotecas residenciais, disse uma fonte próxima às negociações.

Apoio

Os dois candidatos presidenciais dos Estados Unidos ofereceram apoio para a proposta de emergência, um assunto que ameaça encobrir suas campanhas a menos de seis semanas da eleição.

"Isto é algo que todos nós vamos ter que engolir a seco e aceitar", disse o republicano John McCain em entrevista à rede de teelvisão ABC. "A opção de não se fazer nada é simplesmente inaceitável."

O democrata Barack Obama disse que provavelmente apoiará o pacote. "Minha inclinação é apoiá-lo", disse ele no programa "Face the Nation" da CBS.

"Temos que lembrar como chegamos a isso. Não tanto para atribuir culpa, mas para entender as escolhas que o próximo presidente vai enfrentar."

(Reportagem adicional de Deborah Charles, Dan Trotta, David Lawder, Kristina Cooke e John Parry)

Leia tudo sobre: crise nos eua

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG