A crise financeira mundial fez o preço do ouro disparar no mercado internacional. Saltos na cotação da commodity são comuns em momentos de grande incerteza econômica ou social (como guerras).

Muitos investidores, durante esse tipo de turbulência, correm para a segurança que o metal representa.

Há quem afirme que o preço da onça-troy (medida que equivale a 31 gramas de ouro), hoje em US$ 1,1 mil, vai chegar a US$ 2 mil daqui a alguns meses. A maioria dos analistas, no entanto, afirma que essa não é uma seara indicada para o investidor comum. Os que decidirem arriscar mesmo assim devem estudar o tema a fundo.

De agosto de 2008 para cá, os contratos de ouro no mercado internacional subiram mais de 27%, o equivalente a US$ 240. A onça-troy saltou de US$ 860 para os atuais US$ 1,1 mil. No mercado brasileiro, as altas são ainda mais significativas, porque o preço do ouro é função da cotação no exterior e da variação do dólar ante o real. Em agosto de 2008, um grama do metal valia R$ 45. Hoje, está em torno de R$ 67, uma alta de 48%.

Apesar dos bons rendimentos verificados, especialistas alertam que a liquidez é baixa (ou seja, é complicado vender o ativo pela baixa movimentação do mercado) e, para negociar o minério, é preciso muito conhecimento técnico.

Quem tiver interesse, pode comprar ouro no mercado de balcão (por meio de um banco ou de uma corretora), ambiente de negócios em que é possível negociar apenas um grama. Neste caso, porém, o investidor está sujeito a pagar as taxas cobradas pela instituição que administrará o investimento.

O mais recomendado, segundo especialistas, é adquirir o metal no pregão da BM&FBovespa, em que os contratos são de 250 gramas, hoje equivalentes a cerca de R$ 16 mil. É uma operação que, evidentemente, exige altos desembolsos. Mesmo nesse caso, para negociar, é preciso estar associado a uma corretora.

Durante todo o mês de janeiro, a BM&FBovespa negociou 80 contratos de 250 gramas de ouro. Apenas para comparar, em igual período, a bolsa transacionou mais de 72 mil contratos de boi gordo. Segundo Marcos Amaral, diretor da Corretora Spinelli, que opera ouro na bolsa, a baixa movimentação do mês passado comprova a falta de liquidez do ouro no Brasil. "Portanto, não é para qualquer um. Você pode comprar hoje e não necessariamente conseguir vender amanhã", diz.

Fábio Cervone, consultor independente especializado em economia internacional, explica que o enfraquecimento desse mercado no Brasil se deu por conta da estabilização econômica do País. "Com a inflação controlada e com a criação do dólar flutuante, o investidor pode aplicar em recursos não tão reais como o ouro", explica.

Amaral diz ainda que o cenário de pouca liquidez não tem perspectiva de se reverter. "Esse mercado existe de fato apenas nos Estados Unidos. Em Londres, também há liquidez, mas de maneira muito mais tímida", analisa.

Ter experiência em investimentos de risco é um quesito quase obrigatório quando o assunto é ouro. Na opinião de André Nunes, presidente do Grupo Fitta, que, entre outras atividades, também é corretora de valores, o metal é um bom ativo de renda variável que deve ser visto como uma maneira de diversificar o portfólio.

"Portanto, recomendo o ouro apenas para quem já é investidor há algum tempo", frisa. Ele classifica o mercado como "extremamente técnico e rápido", fato que reforça a importância de ingressarem apenas investidores experientes.

Com o atual cenário de valorização, o ouro pode ludibriar o investidor que não é experiente. Clodoir Vieira, economista-chefe da corretora Souza Barros, observa que, à primeira vista, o investimento em ouro parece mesmo atraente. Segundo ele, a valorização do minério é "um pouco maior" que a do CDI (taxa de juros de referência do mercado financeiro, que segue a taxa básica) no acumulado de 2010. "Quem optou por ouro no lugar do CDI, ganhou", afirma. Desde janeiro, o ouro no Brasil já se valorizou 8%. De outro lado, o CDI ganhou apenas 1,02%.

Ainda assim, o especialista reforça que o mercado é recomendado apenas para alguns perfis específicos. "Para começar bem, o poder aquisitivo deve ser alto", afirma.

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