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Em férias coletivas, metalúrgicos temem desemprego

Em férias coletivas, os metalúrgicos hospedados nas colônias de férias de Praia Grande encontraram uma solução, pelo menos temporária, para fugir da crise e da ameaça de desemprego: banho de mar, um dia de sol com a família e uma cervejinha gelada na beira da praia. A gente sempre tem aquela preocupação de como vai ser quando voltar, mas estando junto com a família dá para relaxar.

Agência Estado |

Já sofremos pressão por causa da crise o ano inteiro, pelo menos nas férias tem de tentar esquecer", diz o operador de eletroerosão Carlos Celso Rocha, de 44 anos, que há 15 trabalha na empresa Luferna, na zona leste de São Paulo.

Rocha sabe que o aumento das férias coletivas de 15 para 21 dias é mau sinal. "O pessoal já alertou para a gente não abusar nos gastos. Fora isso, sempre tem aquela preocupação natural dessa época, com IPVA, IPTU e material escolar", conta o operário, que comemora apenas o baixo custo da hospedagem na colônia do sindicato de São Paulo, Mogi das Cruzes e Região, onde a diária para sócio custa R$ 15 com café da manhã.

Nem a redução do IPI para carros zero melhorou a situação da autopeças Borlem, de Guarulhos, onde atua o gerente de produção Carlos Moreira Machado, de 51 anos. "A crise que nos pegou foi feia, tanto que iam dar férias coletivas de 15 dias para um setor e 20 para outro e acabaram dando 33 dias para todo mundo", conta Machado, afirmando que a produção caiu de 58 mil rodas por dia para 6 mil em novembro.

"Ninguém trabalha normal, está todo mundo assustado. A gente exporta muito e a exportação para os Estados Unidos zerou." Ele diz que só consegue aproveitar um pouco as férias porque tem a renda da aposentaria garantida.

Hospedados na colônia da Federação dos Metalúrgicos do Estado de São Paulo (há três colônias da categoria em Praia Grande), um animado grupo de Piracicaba tenta fazer piada para esquecer a crise. "Aqui é o grupo dos Tomatinhos, pode colocar aí", diz um metalúrgico aposentado, em referência ao bronzeado rosado dos turistas.

Há um ano e quatro meses na maior metalúrgica da cidade, a multinacional Caterpillar, com cerca de 5 mil empregados, o operador de produção Luiz Alexandre, de 38 anos, também teme a demissão. "Está todo mundo preocupado, mas nem os gestores sabem. Dispensaram 377 em novembro e agora deram férias coletivas."

No mesmo grupo, o torneiro mecânico da CD Equipamentos, José Mosna, de 42 anos, admite que "vira e mexe" se vê ansioso. "A gente tenta aproveitar, mas às vezes vem na cabeça e não tem jeito." Já o seu colega Milton Rogério Forte, de 46 anos, diz que no trabalho só se falava de crise, então decidiu esquecer de vez. "Aqui na praia não pode ter lugar para crise. Não estou preocupado porque não tenho pardal (filho) nenhum para sustentar."

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