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Diante da queda das encomendas das montadoras, que viram as vendas de carros despencarem, e da redução das exportações, por causa da crise internacional, o setor de autopeças prevê 7,5 mil demissões até o fim do ano. As empresas também vão suspender toda a produção pelo menos durante 16 dias neste mês e dar férias coletivas.

Várias planejam reduzir os investimentos.

Sondagem feita pelo Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos (Sindipeças) com 95 empresas, responsáveis por 41% do faturamento do setor, aponta para incertezas em 2009. "O primeiro trimestre será muito difícil", afirmou o presidente da entidade, Paulo Butori, em nota.

As autopeças devem encerrar dezembro com 223,7 mil empregados, ante um quadro de 231,2 mil em outubro. Pelas contas das empresas, em novembro já teriam ocorrido 3,6 mil demissões e outras 3,9 mil seriam anunciadas este mês. Ainda assim, o setor encerrará o ano com aumento de 3,2% no número de empregos ante 2007, embora a previsão era de crescimento de 8,3%.

Executivos vêem essa crise como a pior enfrentada pelo setor, pois o mercado estava superaquecido e freou repentinamente. Em crises passadas, a queda dos negócios ocorreu em etapas. Butori compara a situação a um carro que segue a 200 quilômetros por hora e encontra um muro à sua frente.

Segundo o Sindipeças, 100% das empresas darão férias coletivas pelo menos durante 16 dias neste mês. Em 2007, as férias foram mais curtas e nem todas as empresas pararam.

"É bom levar em conta que os acontecimentos e algumas decisões têm mudado diariamente e a situação pode piorar", avisou Butori. "É preciso ter muita calma e equilíbrio para não tomar decisões precipitadas nem ficar apenas olhando a tempestade pela janela." Um grupo foi criado pela entidade para discutir medidas para aliviar os efeitos da crise.

Das empresas consultadas, 48% vão manter investimentos anunciados para 2009, mas 46% vão reduzir e 6% vão ampliar os gastas. A Takata, fabricante de volantes, cintos de segurança e airbags em Jundiaí, interior de São Paulo, suspendeu projeto de instalação de uma injetora de poliuretano. Prevista para outubro, ampliaria a produção mensal em de volantes em 10%.

Com 1,2 mil funcionários, a Takata já deu férias de 20 dias para 25 trabalhadores em outubro, de 30 dias para outros 90 em novembro e mais 30 dias para 220 a partir de hoje. De 22 de dezembro a 4 de janeiro toda a fábrica vai parar. A linha mais prejudicada é a de volantes. A produção normal é de 300 mil peças mensais. Neste mês seriam feitas 180 mil unidades, mas a meta já caiu para 90 mil.

De acordo com o Sindipeças, o faturamento do setor, que deveria crescer 9,6%, foi revisto e o crescimento deve ficar em 6,3%, ou R$ 74,4 bilhões. Quase 70% vêm das montadoras, 13,7% das exportações e o restante do mercado de reposição e das vendas entre empresas.