SÃO PAULO - Depois de atingir a cotação máxima de R$ 2,20 pouco antes do fechamento oficial, o dólar comercial encerrou o pregão vendido a R$ 2,1980 para a venda, com alta de 7,42%. A alta da moeda americana, puxada pelo aumento da aversão a risco por parte dos investidores estrangeiros e locais, se sustentou o dia todo mesmo com leilão de swap cambial feito pelo Banco Central no início da tarde.

A valorização de 7,42% é a mais alta desde 29 de janeiro de 1999, e o preço de venda não era tão alto desde 25 de setembro de 2006, quando a divisa estrangeira fechou a R$ 2,221. Na roda de "pronto" da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F), a moeda fechou com alta de 8,19%, valendo R$ 2,205. O volume financeiro na BM & F somou US$ 220 milhões e o giro interbancário chegou a US$ 2,124.

A moeda americana já abriu o pregão bastante pressionada. As notícias do fim de semana no mercado bancário europeu, como o socorro do governo alemão ao banco hipotecário Hypo e a compra emergencial do Fortis pelo francês BNP Paribas, aumentou a percepção dos agentes de que a crise iniciada nos EUA "atravessou o Atlântico". A avaliação hoje é que a desaceleração da economia real, até uma recessão global, pode ser um fato não contornável. Nem mesmo o plano de resgate dos EUA, de US$ 700 bilhões, aprovado pelo congresso na última sexta-feira, garantiu a confiança dos agentes, que esperam uma grande burocracia para a implementação dos resgates.

A divisa pouco se moveu depois que o BC fez leilão de swap cambial, no valor de US$ 1,470 bilhão, tendo vendido ao mercado 29,5 mil dos 41,6 mil contratos ofertados. O estresse do mercado foi mais forte e a saída de ativos para o mercado de títulos americanos foi sentida junto com o ajuste de posições de investidores apostando contra a moeda.

No final da tarde, quando as operações com dólar já estavam encerradas, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, vieram a público para acalmar o mercado e anunciar medidas para ofertar dinheiro a exportadores. A manifestação não teve muito efeito para a o fechamento oficial da moeda, mas o mercado acredita que o dólar deve amanhecer com ajuste de baixa amanhã.

Conforme Mantega, o governo usará parte das reservas internacionais para financiar operações de crédito dos bancos brasileiros. A idéia é que uma parcela dos mais de US$ 200 bilhões das reservas sirvam de funding para bancos locais. Esses recursos, portanto, poderão ser usados para que os bancos brasileiros possam emprestar recursos nas linhas de comércio exterior.

A medida busca diminuir a pressão sobre o financiamento às exportações, causada pela falta de liquidez no mercado de dólares. O mesmo vale para a decisão de fazer um aporte adicional de R$ 5 bilhões em linhas de crédito do BNDES voltadas ao comércio internacional. "Com as novas medidas, a partir de amanhã deve ocorrer um ajuste para baixo da moeda, para patamares mais realistas", avalia Vanderlei Arruda, gerente da mesa de câmbio da Souza Barros.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

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