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Em baixa, bolsa ganha investidores

O volume de captações privadas por empresas brasileiras, que vinha batendo recordes, mudou de rota com a crise internacional e deve fechar o ano em queda pela primeira vez, desde 2003. Desde meados do ano, cerca de 40 companhias já cancelaram operações.

Agência Estado |

A fuga dos estrangeiros explica a queda. Em contrapartida, os investidores pessoas físicas continuam marcando presença na Bolsa de São Paulo. As últimas estatísticas da Bovespa mostram que o número de pessoas físicas passou de 527,1 mil em setembro para 542,1 mil em outubro.

"A crise pode ter deixado esses acionistas mais cautelosos e seletivos em suas aplicações, mas não os desestimulou", disse Rossano Oltramari, economista-chefe da corretora XP, especializada em pessoas físicas. O presidente da Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca), Antonio Castro, também aposta em amadurecimento do investidor pessoa física. Segundo ele, o fato de o brasileiro estar mais acostumado a conviver com volatilidades também ajuda a evitar fuga do pregão paulista.

Castro cita estudo da Abrasca, indicando que a volatilidade média do Ibovespa nos últimos 40 anos já teve picos de 270% para cima e para baixo, enquanto a do Dow Jones (da Bolsa de Nova York) soma apenas 30%. Oltramari, da XP, conta que a estratégia da corretora tem sido intensificar os trabalhos de educação financeira. "Já fizemos campanha em outubro com mais de 500 palestras."
Os dados de aumento do número de pessoas físicas no pregão paulista deixam claro que a queda expressiva no volume de negócios ficou restrita aos estrangeiros, que precisaram repatriar recursos para cobrir prejuízos no exterior. Em novembro, o giro médio foi o mais fraco desde março de 2007.

Nos últimos anos, os estrangeiros foram destaque no "boom" das ofertas públicas iniciais de ações, os chamados IPOs, que trouxeram muitas novas companhias para o mercado de capitais. Com a crise e a fuga dos estrangeiros, mais de 40 empresas desistiram de lançar ações no Brasil. Essa retração afetou o desempenho das captações privadas em 2008.

Para se ter idéia, as emissões de valores mobiliários registradas pela CVM até ontem somam R$ 122 bilhões, e há outros R$ 4,7 bilhões em análise. Somadas, as duas operações ainda ficam 31% abaixo dos R$ 166 bilhões de 2007.

A queda pode ser explicada pelo desempenho mais tímido das ofertas de ações. Este ano, foram 13 operações, totalizando R$ 34 bilhões. O valor corresponde a pouco mais da metade dos R$ 67 bilhões em 103 ofertas aprovadas pela CVM. A retração deste ano é ainda mais evidente porque, dos R$ 34 bilhões, cerca de R$ 19 bilhões vieram de uma única operação, feita pela Vale, em julho.

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