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Ao receber o sinal verde para a construção da Usina de Angra 3, a Eletronuclear terá pela frente a trabalhosa tarefa de renegociar cerca de 30 contratos de fornecimento de máquinas e prestação de serviços, assinados no início da década de 80. A revisão dos acordos, que precisa ser autorizada pelo Ministério das Minas e Energia, terá de ser feita em ritmo acelerado para permitir que as obras tenham início em setembro, conforme o anunciado pelo ministro Edison Lobão.

A estratégia da Eletronuclear é negociar os contratos de maneira gradual, dando prioridade aos serviços mais urgentes para o início das obras. "O primeiro contrato que precisa ser revisto é o de construção civil, que foi assinado com a Andrade Gutierrez. Esse acordo foi assinado na década de 80 e foi revisado em 2002, quando houve uma nova discussão em torno do programa nuclear brasileiro", explicou o superintendente de Gerenciamento de Empreendimentos da Eletronuclear, Luiz Manuel Messias. "Agora, precisamos fazer uma nova negociação."

De acordo com Messias, as renegociações podem levar de quatro a seis meses e visam a trazer para a realidade atual condições de preço, prazo e exigências técnicas. "Acredito que o ministério aguardará a concessão das primeiras licenças - do Ibama e da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) - para autorizar as revisões", disse. "Muitas empresas estão em condições de cumprir os contratos, mas algumas faliram e outras estão em condições financeiras delicadas", observou o superintendente.

Além da Andrade Gutierrez, fazem parte do rol de empresas que serão chamadas para a renegociação a Inepar, adquirida pela Iesa e especializada em equipamentos pesados e estruturas metálicas, e a Confab, que atua na área de dutos. Também terá de passar por revisões o contrato com a francesa Areva, empresa que adquiriu a divisão nuclear da Siemens KVU, e é responsável pela tecnologia nuclear a ser utilizada na unidade.

Enquanto aguarda a decisão do governo, a usina de Angra 3 descansa, em pedaços, em um terreno ao lado da Usina de Angra 2. Desde o início da década de 80, os equipamentos exigem cuidados especiais, entre eles a conservação em embalagens para evitar a umidade e a depreciação.

Visitas periódicas também são feitas pela seguradora Allianz, que verifica as condições das peças. A manutenção de toda essa estrutura custa ao governo cerca de US$ 20 milhões por ano.

De acordo com o último levantamento feito pela Eletronuclear, que contou com a ajuda da consultoria suíça Colenco, a Usina de Angra 3 está orçada em R$ 7,5 bilhões. O período de construção está estimado em 5,5 anos.