Um dia após o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) ter emitido a licença prévia para a construção de Angra 3, a Eletronuclear, responsável pela unidade, ainda não tem um discurso afinado sobre o prazo estipulado para a definição dos rejeitos nucleares. De acordo com as exigências do órgão ambiental, a estatal deve apresentar uma proposta e iniciar a execução de um projeto para a questão do lixo nuclear antes da entrada em operação da usina, previsto para 2014.

Se, para o assistente da presidência da estatal, Leonan dos Santos Guimarães, o prazo é apertado, para o superintendente de Gerenciamento de Empreendimentos da empresa, Luiz Manuel Messias, o intervalo é suficiente. Na avaliação de Guimarães, apenas dois países já iniciaram a implantação de depósitos considerados mais seguros e definitivos para o armazenamento do lixo nuclear, Estados Unidos e Suécia.

O assessor lembra que a França, por exemplo, dona de um parque nuclear de 60 reatores, estipulou um prazo até 2025 para a implementação de depósitos definitivos. "O que se usa hoje no mundo é basicamente a tecnologia de piscinas, que é o que se faz no Brasil. Não fazemos nada diferente do que se faz no mundo", disse Guimarães.

No caso dos Estados Unidos, diz o assessor, a idéia é que esses depósitos estejam funcionando a partir de 2017. Ele afirmou ainda que o projeto norte-americano prevê a construção de depósitos subterrâneos em estruturas que estejam estáveis por períodos milenares. No caso da Suécia, o plano é construir depósitos abaixo do mar, em estruturas de argila.

Já para o superintendente da Eletronuclear, o prazo dado para uma destinação definitiva dos rejeitos nucleares é suficiente. Segundo Messias, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) realiza estudos sobre o assunto e existem experiências internacionais que poderiam ser aplicadas no Brasil.

"Ninguém vai inventar a pólvora. Diversos países adotam soluções para um depósito definitivo para os rejeitos e o Brasil pode discutir qual modelo é mais apropriado. A Cnen também já vem estudando o assunto. O que posso dizer é que nossos depósitos provisórios têm capacidade para abrigar esses rejeitos, pelo menos durante a vida útil das usinas", acrescentou.

Messias lembra, ainda, que em alguns países os rejeitos de alta atividade _oriundo dos combustíveis utilizados nas usinas são reaproveitados e deixam de ser tratados como rejeitos.

Outra discussão detonada a partir da licença provisória diz respeito à atribuição legal pelo lixo nuclear. De acordo com o texto do documento, a responsabilidade seria da Eletronuclear, mas a Cnen afirma que esta é, legalmente, de sua alçada.

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