Por Rodrigo Viga Gaier RIO DE JANEIRO (Reuters) - O presidente da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro da Silva, afirmou nesta quarta-feira considerar viável o Brasil realizar um forte crescimento no volume de energia nuclear em um período de algumas décadas, a exemplo do que já fizeram outros países.

Segundo ele, a idéia manifestada pelo ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, de construir 50 usinas nucleares no país ao longo de 50 anos, agregando ao sistema cerca de 60 mil megawatts de energia, é uma meta 'perfeitamente factível'.

Alguns analistas chegaram a classificar de 'fantasiosa' a opinião de Lobão.

'Existe perplexidade quando se fala nisso, mas eu não entendo porque. A França tem 58 mil megawatts instalados e ela construiu isso, que é quase o que o Brasil precisa, em vinte anos e há 40 anos', disse o presidente da Eletronuclear a jornalistas em evento no Clube de Engenharia do Rio de Janeiro.

'A perplexidade é do pigmeu mental. É perfeitamente possível (fazer)... acho o povo francês muito inteligente, mas se eles fizeram há 40 anos e em um período de 20 anos, por que não podemos fazer em cinquenta anos?', acrescentou o executivo.

Para ele, a energia nuclear tende a ser uma das mais importantes da matriz brasileira, já que o Brasil tem grandes reservas de urânio para abastecer as unidades nucleares.

'Embora o investimento nuclear seja alto, o preço do combustível é muito baixo e por isso já somos a segunda fonte de geração no país. Energia nuclear é coisa do presente e não do futuro', avaliou Otton da Silva.

O executivo calcula que para viabilizar as 50 usinas nucleares no país serão necessários investimentos de aproximadamente 150 bilhões de dólares.

'A nossa lei prevê a participação da inicitiva privada na construção da usina e o governo opera. Uma modificação pode ser pensada para o futuro', avaliou.

Ele destcou que o BNDES pode ser uma das fontes de finaciamento dos projetos, que se pagam pela tarifa da energia que será consumida no país.

De acordo com o executivo, a proposta da Eletrobrás é convidar as geradoras locais ( Chesf, Eletrosul, Furnas e outras) para participar dos futuros emprendimentos nucleares.

O executivo anunciou ainda que a licança de instalação da usina de Angra 3 deve sair no mês de outubro e as obras de construção da unidade devem ser lançadas em abril de 2009.

'A obra com a primeira laje sai em 2 de abril, mas a obra de preparação já começou', disse Otton Pinheiro da Silva.

'A obra termina em 2014, mas é uma obra com pouca incerteza já que Angra 3 tem uma irmã gêmea ao lado dela'.

Segundo ele, a Eletronuclear está desenvolvendo estudos e projetos para o armazenamento dos rejeitos nucleares da usina, uma das prioridades do Ministério do Meio Ambiente.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier; Edição de Marcelo Teixeira)

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