RIO - A Eletrobrás espera definir ainda este ano o pagamento dos dividendos retidos, que atualmente somam R$ 9,3 bilhões. O diretor financeiro e de relações com investidores da estatal, Astrogildo Quental, destacou que o principal da dívida equivale a menos de R$ 1 bilhão e que o pagamento depende ainda de entendimentos com o Tesouro Nacional.

O acordo é necessário porque o Tesouro é o maior acionista da Eletrobrás, com 54% do capital e mais 10% que estão nas mãos de fundos controlados pelo próprio Tesouro. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) possui outros 15% e os 21% restantes estão nas mãos de minoritários. Quental explicou que o acordo prevê o pagamento de cerca de R$ 2 bilhões em dinheiro aos minoritários, enquanto os demais acionistas teriam direito a uma capitalização na empresa, aumentando a fatia do capital.

O BNDES, segundo o diretor, aceitaria realizar a operação de capitalização, mas o Tesouro Nacional depende de uma dotação no Orçamento para que a operação seja autorizada. "Poderíamos até pagar uma parte da fatia do governo em dinheiro, de forma a facilitar o processo de capitalização", ressaltou Quental.

Os dividendos obrigatórios foram retidos pela Eletrobrás no final da década de 70, de forma a assegurar recursos para investimentos da companhia. Quental explicou que a partir de 2002 a correção se tornou mais onerosa para a companhia, uma vez que a dívida passou a ser indexada à taxa básica de juros da economia, a Selic.

"A decisão foi tomada no sentido de pagar os dividendos o quanto antes, assim que forem superados os entraves", afirmou José Antônio Muniz Lopes, presidente da Eletrobrás.

(Rafael Rosas | Valor Online)

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