O grupo EBX, do empresário Eike Batista, conseguiu chegar a um acordo com a mineradora britânica Anglo American em relação ao pagamento da compra de participações na mineradora MMX. A Anglo comprou, por US$ 5,5 bilhões, o controle dos sistemas de mineração Minas-Rio e Amapá, da MMX.

Mas, com a operação da Polícia Federal que investiga supostas irregularidades da empresa brasileira em licitações no Amapá, a Anglo anunciou que esperaria o fim das investigações para efetuar o pagamento.

Hoje, a MMX anunciou que a venda dos ativos estará concluída em 5 de agosto. Para fechar o acordo e retirar os empecilhos, Eike Batista ofereceu uma indenização pessoal, a qual não gerará qualquer obrigação adicional para a MMX e que cobrirá qualquer prejuízo eventual que a Anglo possa vir a ter com o resultado dos trabalhos da PF.

Com isso, a Anglo vai pagar cerca de US$ 3,5 bilhões ao empresário até o dia 5 de agosto. Depois, o próximo passo é realizar uma oferta para comprar as ações da IronX em poder dos minoritários, operação calculada em US$ 2 bilhões. No total, a transação é de US$ 5,5 bilhões e prevê a aquisição de 51% do sistema Minas-Rio e de 70% da MMX Amapá, ativos que agora integram a empresa IronX, que estreou ontem na Bovespa. A proposta da indenização é fruto da negociação realizada entre Eike e a Anglo nos últimos dias. O empresário esteve em Londres no final da semana passada para concluir o processo.

"Estamos prontos para prosseguir com a transação, em benefício de todos os acionistas do projeto. A mina do Amapá já se encontra em produção e a primeira fase do projeto Minas-Rio está avançando consistentemente. Estamos motivados para continuar desenvolvendo esses dois projetos, contando para tanto com o excelente time que herdamos da MMX", disse a diretora-presidente da Anglo, Cynthia Carroll.

Eike Batista afirmou que, após a conclusão da venda dos ativos para a Anglo American, a situação volta ao normal. "De agora em diante, faremos negócios como sempre", disse, em teleconferência com analistas e investidores. Ele buscou minimizar os efeitos da operação Toque de Midas, da PF, que investiga supostas irregularidades em concessão de estrada de ferro no Amapá. Segundo ele, questionamentos de licenças são comuns no Brasil. "Estamos presentes em muitos Estados brasileiros, é um processo saudável e regular."

Questionado por um analista sobre a possibilidade de surgimento de novas notícias desse tipo, ele respondeu: "Sim, somos muito grandes, estaremos sempre na mídia." Eike disse que a transparência no relacionamento com os investidores tornou-se "a marca" do grupo. "Essa empresa é transparente, transparente, transparente", disse. Para ele, o compromisso de indenização pessoal assumido com a Anglo é uma mostra da proteção oferecida aos minoritários, já que exclui a MMX de qualquer eventual prejuízo.

O empresário ainda sinalizou que a Anglo American pode voltar a realizar negócios com seu grupo. "A Anglo American pode ser uma potencial compradora caso decidamos vender ativo no Sudeste", disse. Ele se referia ao porto Sudeste, da empresa de logística LLX, que complementaria a operação da Anglo na região.

Em abril, o presidente da LLX, Ricardo Antunes, havia dito que a companhia de logística estava negociando a venda de participação nos seus três portos com inúmeras empresas estrangeiras e nacionais e que algum negócio poderia ser fechado ainda neste ano.

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