O Brasil pode aumentar o valor agregado do seu comércio exterior, condicionando a exportação de matérias-primas para a China à sua elaboração parcial no País. Esta é a visão do megaempresário Eike Batista, presente ontem à assinatura, pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, e Hu Jintao, da China, do Plano de Ação Conjunta dos países para 2010-2014.

O Brasil pode aumentar o valor agregado do seu comércio exterior, condicionando a exportação de matérias-primas para a China à sua elaboração parcial no País. Esta é a visão do megaempresário Eike Batista, presente ontem à assinatura, pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, e Hu Jintao, da China, do Plano de Ação Conjunta dos países para 2010-2014. Na mesma cerimônia, Eike assinou acordo entre a sua EBX e a siderúrgica chinesa Wisco, para construção de uma siderúrgica no norte fluminense. A questão da diversificação das exportações do Brasil para a China, concentradas em commodities como ferro e soja, entrou com força na pauta das relações entre os dois países. No seu discurso na cerimônia de assinatura do Plano de Ação Conjunta, Lula disse que, "para que a promessa do comércio Sul-Sul seja uma realidade, o Brasil precisa aumentar o valor agregado das suas vendas". Segundo o embaixador do Brasil na China, Clodoaldo Hugueney, o reequilíbrio do comércio bilateral é um dos temas que preocupam o Brasil nas relações com o país asiático, e foi levado em conta na negociação do Plano de Ação Conjunta. Cooperação. Os dois países comprometem-se a "diversificar os produtos de exportação, particularmente em setores intensivos em inovação e tecnologia", Para Eike, o negócio entre a EBX e Wisco mostra como evitar que a relação comercial entre Brasil e China seja cada vez mais a de um fornecedor de matérias-primas com um fabricante de produtos acabados. "Lula falou numa cooperação em que se agregue mais valor, que o País não fique como uma fazenda ou uma grande mina." O acordo prevê a construção de uma siderúrgica de 5 milhões de toneladas anuais no Porto de Açu, no norte fluminense, que também é um empreendimento de Eike. Com um investimento de US$ 5 bilhões, dividido em 70% e 30% entre Wisco e EBX, a usina deve começar a fabricar, em três anos, produtos siderúrgicos para setores variados, como o automobilístico e o naval. Segundo Eike, a capacidade da siderúrgica poderá ser triplicada. O empresário, porém, vê possibilidades bem mais ambiciosas para as relações Brasil-China no setor siderúrgico. Segundo ele, a China produz 600 milhões de toneladas de aço por ano, ante 34 milhões do Brasil. Os planos chineses, continua Eike, são de continuar a expandir sua capacidade, ao nível de 700 milhões a 900 milhões de toneladas anuais. Como o Brasil é um grande fornecedor de minério de ferro - principal matéria-prima do aço - para a China, o País poderia, na visão do empresário, convencer os chineses a trazer para o País parte do planejado aumento da capacidade. "Com 100 milhões de toneladas, nós triplicamos nossa produção atual." Segundo Eike, a produção da siderúrgica de Porto Açu vai atender o mercado nacional e o excedente será exportado para a China. No caso de uma ampliação maciça da produção no Brasil das siderúrgicas chinesas, porém, o objetivo básico seria exportar para o país asiático. "Agrega-se dez vezes o valor do seu produto (minério de ferro) e emprega muito mais gente." Eike vê um papel para o Estado na articulação estratégica das crescentes relações econômicas entre gigantes como China, Índia e Brasil, que junto com a Rússia formam o Bric, cujos chefes de Estado se reuniram ontem.

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