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SÃO PAULO - O faturamento em agosto das micro e pequenas empresas (MPEs) no Estado de São Paulo sofreu retração de 8,6%, em relação ao mesmo período do ano passado, conforme revelou o levantamento promovido mensalmente pelo Sebrae-SP. O setor com pior desempenho foi a indústria, com queda de 13,3%, seguido pelo comércio, com recuo de 9,1%.

O setor de serviços também faturou menos em agosto deste ano, com retração de 3,3% sobre os registrado em 2007.

O efeito calendário foi um dos fatores que contribuíram para a queda no faturamento das MPEs, conforme análise do Sbreae-SP, uma vez que agosto de 2008 teve dois dias úteis a menos do que o oitavo mês do ano passado. O Sebrae-SP ressalta também que as empresas atingiram receitas consideradas elevadas em agosto de 2007, o que faz desse período uma base de comparação desproporcional em relação ao histórico do mercado. Outro fator apontado pelo Sebrae-SP como responsável pela queda é a inflação registrada no período (7,15% na medição do INPC), que teria corroído os ganhos das MPEs.

Na comparação do faturamento obtido pelas MPEs entre julho e agosto, a queda foi de 1,6%. Indústria (-5%) e comércio (-3,8) puxaram o índice para baixo, enquanto o setor de serviço elevou suas vendas em 6%. Mais uma vez, o efeito calendário pode ter contribuído para prejudicar os indicadores de agosto, uma vez que julho teve um dia útil a mais.

Para o coordenador do Observatório das MPEs do Sebrae-SP, Marco Aurélio Bedê, o resultado era esperado. "Para as pequenas empresas, cada dia útil a menos de atividade representa uma perda de faturamento de até 5% no mês. Dessa forma, se agosto deste ano teve dois dias a menos que agosto do ano passado e um dia a menos que julho, o resultado em termos de faturamento era esperado", argumentou Bedê. "Esses dados, de certa forma, mostram que as pequenas empresas chegaram a um patamar de vendas próximo ao verificado no ano passado, que é considerado o nível mais elevado dos últimos anos."
O diretor-superintendente do Sebrae-SP, Ricardo Tortorella, traça uma perspectiva otimista para os próximos meses. "O desempenho registrado em agosto não deve prejudicar o desempenho do ano, já que não teremos mais feriados importantes até o Natal. Assim, o efeito calendário passará a atuar positivamente", analisou. "Como os empresários continuam vendendo em patamar semelhante ao ano passado e continuam otimistas, se a turbulência financeira internacional se mostrar passageira, acreditamos que ainda é possível terminar este ano com uma variação positiva nas vendas."
O levantamento do Sebrae-SP aponta também que 55% das MPEs espera que o faturamento cresça nos próximos seis meses. Além disso, 52% dos entrevistados acreditam na melhoria da economia brasileira.

(Adilson Fuzo | Valor Online)