SÃO PAULO (Reuters) - A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) desacelerou em março, influenciada pelo arrefecimento nos preços de Educação, enquanto os alimentos mantiveram sua trajetória de alta. O indicador subiu 0,55 por cento neste mês, após elevação de 0,94 por cento em fevereiro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira.

As projeções apuradas pela Reuters variavam de alta de 0,49 a 0,62 por cento, com mediana em 0,53 por cento e média em 0,54 por cento.

No ano, o IPCA-15 acumula alta de 2,02 por cento e em 12 meses, de 5,09 por cento.

De acordo com o IBGE, o efeito dos reajustes sazonais de início do ano do grupo Educação ficaram concentrados em fevereiro. Assim, em março, o grupo apresentou alta de 0,55 por cento, enquanto em fevereiro atingira elevação 4,55 por cento.

Também contribuíram para a desaceleração do índice o alívio na alta das tarifas dos ônibus urbanos, que passaram de 3,84 por cento, em fevereiro, para 1,70 por cento em março.

Além disso, os combustíveis reverteram uma alta de 1,94 por cento, em fevereiro, para queda de 0,26 por cento em março.

O álcool combustível também apresentou declínio, de 0,97 por cento, frente à alta do mês anterior, de 8,86 por cento. A gasolina passou de alta de 1,34 por cento para deflação de 0,20 por cento.

O grupo Transportes, assim, desacelerou a alta entre fevereiro e março de 1,28 para 0,41 por cento.

Também houve arrefecimento da inflação no nos grupos Habitação (de 0,38 para 0,27 por cento), Artigos de residência (de 0,49 para 0,37 por cento) e Saúde e cuidados pessoais (de 0,42 para 0,22 por cento).

ALIMENTOS AINDA PRESSIONAM

Os preços dos alimentos, contudo, mantiveram a trajetória de alta, acelerando o avanço para 1,22 por cento este mês, ante 0,98 por cento em fevereiro.

Entre os destaques, tomate subiu 26,50 por cento; açúcar refinado, 10,26 por cento;, açúcar cristal, 8,06 por cento; hortaliças, 7,67 por cento; leite pasteurizado, 5,27 por cento; e frutas, 3,40 por cento.

Também houve aceleração nos preços do grupo Vestuário, que reverteu deflação de 0,20 por cento para alta de 0,08 por cento; Despesas Pessoais, de alta de 0,42 para 0,69 por cento;

e Comunicação, de avanço de 0,01 para 0,08 por cento.

De acordo com o IBGE, o agrupamento dos não alimentícios, que havia registrado elevação de 0,93 por cento no mês passado aliviou para 0,35 por cento em março.

NÚCLEOS

As medidas de núcleo do IPCA-15 também mostraram alívio, conforme cálculo da Rosenberg Consultores Associados. O núcleo por exclusão reduziu a alta de 0,81 para 0,42 por cento; o núcleo por dupla ponderação passou de 0,68 para 0,46 por cento e o núcleo por médias aparadas suavizadas permaneceu em 0,42 por cento.

O índice de difusão, conforme cálculo do estrategista do Nomura Securities, Tony Volpon, caiu para 60,4 por cento ante 62 por cento em fevereiro.

Para o cálculo do IPCA-15, os preços foram coletados no período de 11 de fevereiro a 15 de março e comparados com aqueles vigentes de 15 de janeiro a 10 de fevereiro.

O IPCA-15 é considerado uma prévia do IPCA, o índice que serve de referência para a meta de inflação do país.

A metodologia de cálculo é a mesma, apurando a variação de preços para famílias com renda de até 40 salários mínimos em 11 regiões metropolitanas do país. A diferença está no período de coleta, já que o IPCA mede o mês calendário.

(Por Paula Laier; Edição de Alexandre Caverni)

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