PORTO ALEGRE - A EDP Renováveis Brasil, braço da EDP Energias Brasil, deu mais um passo para ampliar a participação no mercado de geração eólica no país. A empresa anunciou ontem a assinatura de acordo para adquirir, por R$ 6 milhões, o controle integral da Elebrás, subsidiária da alemã InnoVent que desenvolveu quatro projetos para a implantação de parques eólicos no Rio Grande do Sul, num total de 532 megawatts (MW) de potência.

Segundo o diretor-presidente da companhia, Miguel Setas, falta a autorização dos órgãos regulatórios, mas deve ser concluído até junho. A empresa já havia adquirido em junho de 2008, por R$ 51,3 milhões, a Central Nacional de Energia Eólica (Cenaeel), com dois parques que totalizam 14 MW em Santa Catarina, já em operação.

" A aquisição faz parte da estratégia de reforçar nossa presença no mercado brasileiro " , disse Setas. O grupo português EDP é o quarto maior produtor mundial de energia eólica com 5 mil MW instalados, a maior parte nos Estados Unidos, Espanha e Portugal. Se os projetos adquiridos com a Elebrás saírem do papel, o Brasil será o quarto maior mercado da empresa.

O total de investimentos previstos para o Rio Grande do Sul só será divulgado após a confirmação de execução dos projetos. Mas tomando como base de referência a estimativa da empresa, de R$ 5 milhões por MW instalado, o montante pode chegar a R$ 2,66 bilhões nos próximos anos.

A construção de três dos quatro parques gaúchos depende do sucesso da empresa nos leilões da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), explicou Setas. O próximo está previsto para o segundo semestre, para entrega de energia em três anos, e um dos projetos já deve concorrer. São 81 MW no município de Palmares do Sul, no litoral do Estado, que já receberam a licença ambiental prévia.

O quarto, de 70 MW, está no Proinfa, o programa do governo federal para estimular fontes alternativas de energia, mas mantém a habilitação graças ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4). O projeto previa a construção do parque em Cidreira e foi transferido para o município vizinho de Tramandaí porque o terreno estava penhorado, impedindo a concessão de licença ambiental.

A transferência foi questionada pelo Ministério Público Federal, mas em junho de 2008 o TRF4 julgou a ação improcedente. " O risco é remoto, mas mesmo que o projeto perca a habilitação ele poderia participar dos leilões " , comentou. Para ele, o parque de Tramandaí poderá ser construído assim que a Eletrobrás assinar a prorrogação dos contratos de compra de energia, o que deve ocorrer " nos próximos meses " . A partir daí, seriam necessários dois anos para colocar a unidade em operação.

(Sérgio Bueno | Valor Econômico)

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