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Economistas preveem longa recessão global

A economia mundial crescerá no máximo 2,5% ao ano, nos próximos três anos, segundo o presidente do banco Morgan Stanley para a Ásia, Stephen Roach, ex-economista-chefe da instituição e ex-economista do Federal Reserve, o banco central americano, hoje baseado em Hong Kong. Em 2009, acrescentou, a produção mundial deverá encolher entre 0,5% e 1%, na primeira redução anual desde a Segunda Guerra, e por muitos anos não se verá de novo um crescimento médio de 4%.

Agência Estado |

“Você está otimista, deve estar amolecendo com a idade”, comentou o editorialista econômico do Financial Times, Martin Wolf.

Stephen Roach carregou por muitos anos a fama de pessimista e soube cultivá-la em seus escritos e nas discussões do Fórum Econômico Mundial. Desta vez, ninguém foi muito mais otimista do que ele, na sessão de abertura da reunião anual do Fórum. Ninguém falou muito sobre 2009, um ano dado como perdido, nem previu solução rápida para a retração mundial. Só o empresário turco Ferit Sahenk, presidente do Grupo Dogus, um dos maiores do país, com 70 companhias e cerca de 20 mil empregados, achou algo positivo para dizer: “Pela primeira vez, estamos numa crise que não foi criada por nós”.

“Ainda não chegamos ao fundo”, disse o economista chinês Justin Yifu Lin, vice-presidente sênior do Banco Mundial. Injetar capital nos bancos não bastará para tirar o mundo da recessão. Será necessário, segundo ele, um estímulo fiscal coordenado, mas nem todos os países terão condições de aumentar os gastos orçamentários. O remédio, acrescentou, será criar um fundo para financiar a recuperação dos países em desenvolvimento.

A China, disse Justin Yifu Kin, perdeu impulso por causa da queda das exportações, mas o governo já lançou um plano fiscal de US$ 480 bilhões, equivalente a 15% do Produto Interno Bruto (PIB), destinado em grande parte a projetos de infraestrutura e a políticas de proteção social. O crescimento da produção poderá ficar na faixa de 7% a 8%, segundo sua avaliação. Stephen Roach é mais cauteloso: a expansão chinesa dificilmente passará de 5,5% neste ano, segundo sua avaliação.

O veterano ministro das Finanças da África do Sul, Trevor Manuel, no cargo desde 1996, chamou a atenção para o risco de maior protecionismo nas grandes economias e para as dificuldades de financiamento dos países africanos. Os investimentos estrangeiros devem diminuir e aqueles países, depois de terem conseguido acesso aos mercados financeiros, estão sendo postos para fora.

Estímulos fiscais podem ser importantes, mas também não serão suficientes, concordaram Roach e o economista japonês Heizo Takenaka, diretor do Instituto de Pesquisa de Segurança Global, da Universidade Keio, do Japão. Takenaka insistiu na importância de uma política monetária expansionista. Além disso, a crise não será resolvida, acrescentou, enquanto não houver uma avaliação eficiente dos ativos tóxicos em poder dos bancos. Sem a solução desse problema, nem o Programa de Redução dos Ativos Tóxicos (Tarp), criado pelo governo americano, cumprirá sua função, disse Roach.

Se a crise se prolongar, não produzirá apenas desemprego e pobreza, mas instabilidade social e política, advertiu o empresário Ferit Sahenk. Assim como a maioria dos outros participantes, defendeu ações internacionais coordenadas como indispensáveis à solução dos problemas globais. Mas a coordenação dificilmente poderá funcionar, objetou Roach, enquanto as instituições multilaterais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI), não tiverem poder para impor o cumprimento de regras e de compromissos a Estados soberanos, a começar pelos mais fortes. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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