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Economistas divergem sobre efeito na inflação

O impacto da crise mundial sobre a inflação foi um dos pontos polêmicos do debate O Brasil e a Crise, realizado ontem pelo Grupo Estado. Metade dos debatedores diz que a forte redução do ritmo de atividade global e a queda nos preços das commodities vão contribuir para conservar a inflação em níveis comportados.

Agência Estado |

Os outros três debatedores, no entanto, acreditam que a maxidesvalorização do real nas últimas semanas fará com que a inflação fique em um patamar elevado. O que, na prática, significa que o Banco Central (BC) deve manter o atual ciclo de alta do juros.

O economista Luiz Gonzaga Belluzzo está entre os defensores de uma reavaliação da política monetária do BC neste momento de incerteza no mercado internacional. "Se a economia global se contrair na velocidade que estamos imaginando, talvez seja preciso fazer a dança da chuva para chamar inflação", afirma Belluzzo, referindo-se ao fato de hoje o risco mundial estar mais associado a uma recessão do que à inflação.

Belluzzo diz que o BC deve adotar uma postura mais cautelosa, de esperar para ver o que acontece. O Banco Central iniciou em abril um ciclo de aperto monetário que elevou a taxa Selic para 13,75% ao ano. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) está marcada para os dias 28 e 29 deste mês.

"Não estou dizendo que é para reduzir os juros. Apenas que ele deve ficar numa posição de observação." O economista acredita que os dois próximos trimestres vão mostrar uma tendência clara da economia. "Minha impressão é que os consumidores vão cortar os gastos e, por isso, as empresas vão diminuir os investimentos."

O ex-ministro da Fazenda Delfim Netto concorda. Para ele, hoje todo mundo está correndo para a liquidez. Quem puder vai adiar os investimentos um ou dois meses até o cenário ficar mais claro e também para ver os próximos passos do BC em relação à taxa de juros. "O Banco Central tem condições de estimular as expectativas do mercado. Se não mexer nos juros agora, vai sinalizar que está esperando para ver o que vai acontecer na economia mundial." Na avaliação de Delfim, a grande política monetária do momento é tranqüilizar o cidadão, que está em pânico e acaba de sair do que chamou de um "terremoto".

Para o economista-chefe para a América Latina do banco UBS Pactual, Eduardo Loyo, ex-diretor do BC, a situação não é tão confortável. A inflação, diz ele, está um pouco mais teimosa do que o País gostaria de ter neste momento. "A tendência dos índices continua resistente. Não posso deixar de ignorar esse efeito. Seria o mesmo que fazer de conta que não conhecemos as experiências históricas que já tivemos."

Além disso, Loyo argumenta que não se pode ignorar o efeito que a desvalorização da taxa de câmbio tem sobre a inflação. "Não dou por encerrado o ciclo de elevação da taxa de juros."O economista-chefe para a América Latina do banco Santander, Alexandre Schwartsman, tem uma opinião parecida. Ele destaca que a inflação brasileira ainda está acima da meta e que o consumo interno tem crescido a taxas de 9% ao ano - num ritmo chinês.

Delfim é crítico em relação ao efeito do câmbio na inflação. Ele diz que a política monetária adotada pelo BC nos últimos anos produziu a supervalorização do real até a explosão dessa crise. Hoje, diz ele, estão sendo colhidos os erros cometidos no passado. "Agora, não se pode insistir num segundo erro. Dois erros não dão um acerto." Ele avalia que a queda nos preços internacionais de commodities possa compensar a alta do dólar nas últimas semanas, que superou 30%. Ontem, no entanto, com o arrefecimento do nervosismo dos investidores, o dólar recuou e fechou em R$ 2,07.

"Acredito que o dólar deve ficar entre R$ 1,95 e R$ 2,05. Se for isso, a transferência da alta para os preços será muito pequena. Além disso, se o ritmo de atividade continuar onde está, essa transferência deve levar um ano ou um ano e meio para ocorrer", avalia Delfim.

O economista do UBS discorda da opinião que a valorização do real tenha sido provocada pela taxa de juros. Loyo diz que é preciso levar em conta a questão da escalada dos preços das commodities. Isso sem contar o fato de que as moedas de outros países exportadores de commodities também se valorizaram nos últimos anos.

Ele diz, além disso, que o BC terá de acompanhar com cuidado o desempenho do setor bancário. Quando a liquidez voltar a normalidade, o Banco Central teria de reverter as medidas tomadas para injetar recursos no mercado, como a redução das alíquotas de recolhimento do compulsório. "Em condições de normalidade, o BC vai ter de retirar liquidez do mercado." As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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