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Economistas debatem a crise em livro virtual

O Instituto de Estudos de Política Econômica da Casa das Garças, centro de estudos carioca dirigido pelos economistas Edmar Bacha e Ilan Goldfajn, publica a partir de hoje, em sua página na internet (www.iepecdg.

Agência Estado |

com), um livro virtual sobre a crise, com artigos de 18 dos mais conhecidos e renomados economistas do País. Intitulado "Como Reagir à Crise? Políticas Econômicas para o Brasil", o trabalho, organizado por Bacha e Goldfajn, reúne artigos de Pedro Malan, Armínio Fraga, André Lara Resende, Gustavo Franco, Alkimar Moura, entre outros, além dos próprios organizadores. O Estado obteve o livro virtual ainda sem o artigo de Pérsio Arida, previsto para ser entregue ontem à noite.

O ex-presidente do Banco Central e sócio da Gávea Investimentos, Armínio Fraga, alerta para o risco de se tentar perseguir um crescimento de 4% para a economia no ano que vem: "Cabe perguntar se tal meta é factível, que riscos corremos ao persegui-la e como fazê-lo". Na opinião de Fraga, se para a economia americana faz sentido falar em "expansão fiscal temporária", no Brasil a situação é outra. "No nosso caso, é preciso levar em conta que há anos os gastos públicos vêm aumentando de forma pró-cíclica e focada em gastos correntes e permanentes."

Fraga também questiona a política de instruir os bancos públicos a expandirem seus balanços para compensar a retração do setor privado. "O sistema bancário brasileiro está bem capitalizado e provisionado. Se não mantém um crescimento do fluxo de financiamento é porque teme perder dinheiro." Na sua avaliação, é necessário ter "um pouco mais de paciência".

Para Fraga, somente com uma postura mais conservadora em termos de expansão fiscal e creditícia é que se conseguirá cortar os juros. "Caso o governo exagere na dose anticíclica fiscal e creditícia, corre-se o risco de desperdiçar uma possível, rara e não muito distante oportunidade de redução da taxa de juros."

O ex-ministro da Fazenda Pedro Malan defende a contenção do gasto público do governo como "único caminho" para o País atravessar a crise. "A grave crise atual levou muitos a acreditar que o nome do jogo é a adoção generalizada de políticas keynesianas para combater a desaceleração do crescimento", escreve.

"O Brasil não está em recessão, nem em deflação, mas em processo de desaceleração do crescimento que vai significar sim redução das receitas e portanto vai exigir cortes na expansão de gastos antes contemplados e não o contrário, como vem acontecendo com as contratações e aumentos anticíclicos", diz o ex-ministro.

Em seu texto, Edmar Bacha alerta para os riscos das políticas creditícias compensatórias (pelo uso de reservas internacionais, da expansão dos bancos públicos e da queda de juros), ainda que defenda a intervenção do governo para atenuar os impactos da crise na economia. "Quanto maior controle se exercer sobre o gasto corrente do governo, maior poderá ser a expansão creditícia compensatória sem afetar negativamente as contas externas."

O economista André Lara Resende escreve sobre a arquitetura do sistema financeiro internacional. Segundo ele, "a regulamentação que teria evitado os excessos que levaram à crise de hoje não é necessariamente a mais indicada, nem para o sistema financeiro em frangalhos de hoje nem para o sistema financeiro do futuro."

O economista tampouco se mostra a favor da concentração bancária. "Como já ficou evidente com os bancos internacionais que foram obrigados a serem resgatados pelos cofres públicos, tamanho não é garantia de invulnerabilidade." E critica a reversão do processo de redução dos bancos públicos no Brasil.

Lara Resende sugere que toda instituição financeira, independentemente da forma de organização, deve estar submetida a um limite de alavancagem consolidada. "Os atuais critérios de Basiléia são anacrônicos. No Brasil, onde ainda há restrição de crédito, é necessário reduzir o grau de restrição para que se possa aumentar o crescimento e emprego."

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