SÃO PAULO - A ansiedade e as incertezas dos mercados globais em torno do resultado do plano de socorro dos EUA para o setor financeiro se acentuaram nesta terça-feira, mas Rubens Sardenberg, novo economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) acredita na hipótese de solução da crise após a iniciativa de US$ 700 bilhões anunciada no fim de semana nos Estados Unidos. Eu não seria pessimista em relação à possibilidade de que isso (o plano) possa resolver a situação, disse nesta tarde, lembrando que a emergência por uma solução é grande e que é muito complexo estruturar um plano eficiente em tão curto espaço de tempo. O economista pondera ainda sobre a influência que podem ter as discussões políticas acerca do plano no Congresso e o peso do processo eleitoral em curso nos Estados Unidos, fatores que tendem a afetar a decisão.

Sardenberg avalia ainda que mesmo uma solução rápida do problema por meio do plano não evitará os desdobramentos e o desgaste do sistema causados pela crise, que "durarão um certo tempo".

Pesquisa divulgada hoje pela entidade e realizada com 26 bancos, de 17 a 19 deste mês, mostra que a evolução da crise dos EUA é a principal fonte de preocupação hoje no mercado. O assunto foi citado em 91% das respostas, seguido da diminuição da liquidez mundial, que surgiu em 78% dos casos, e da desaceleração da economia chinesa, cuja freqüência foi de 61%.

No quadro doméstico, a temática prioritária, mencionada mais vezes pelos bancos, é o descompasso entre oferta e demanda na economia, com 70% de presença nas respostas, mesmo percentual alcançado pela desvalorização da taxa de câmbio e pela desaceleração no crescimento do volume de crédito, que teve freqüência de 61% nos questionários da pesquisa.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

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