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Para a revista, elogio às estatais no Brasil “ignora o sucesso da privatização”

Apesar do crédito dado pelo governo ao papel do Estado na recuperação econômica brasileira, a eleição presidencial do Brasil não deve “alterar fundamentalmente o balanço entre a iniciativa privada e o Estado no Brasil”, segundo afirma reportagem publicada na edição desta semana da revista britânica The Economist.

Em um artigo intitulado "Caindo de amores novamente pelo Estado", a revista alerta para possíveis sinais de que o governo e a candidata à Presidência Dilma Rousseff poderiam ter aprendido "lições erradas" do processo de recuperação da economia.

Mas a própria revista diz que declarações de Dilma elogiando a "política clara do governo de fortalecer a Petrobras" e o desempenho de empresas estatais durante a crise poderiam ser vistas como uma arma de retórica da candidata para ganhar a confiança da base tradicional do Partido dos Trabalhadores (PT), que só abandonou a defesa do socialismo em 2002, quando Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito presidente em sua quarta tentativa.

“O governo não tem o capital para construir rodovias, portos e aeroportos, e continuará a buscar o setor privado para isso. Quando Rousseff não está elogiando as companhias estatais brasileiras, ela comumente fala sobre a necessidade de parcerias entre o Estado e o setor privado”, diz a revista.

Apesar disso, observa a Economist, “há muitas evidências de que o próprio Lula, que muitos esperam continuar a ser o poder por trás do trono se Rousseff vencer a eleição, acredita agora que um papel maior para o Estado na economia seria bom para o Brasil”.

Trampolim

Para a revista, cada novo dado sobre a economia “mostra que a breve recessão de 2009 no Brasil foi uma queda em um trampolim”, com um salto grande neste ano, levando os líderes brasileiros a restaurar sua crença no papel do Estado na economia.

A reportagem afirma que a visão do governo sobre o papel do Estado no combate à crise “está ao menos parcialmente correta”. “Foi útil ter fontes de crédito controladas pelo governo quando o crédito de fora secou no fim de 2008”, diz a revista.

Apesar disso, o texto afirma que “este não é o quadro completo”. “Os bancos privados brasileiros também se saíram bem. Não houve quebras de grandes bancos, nem a necessidade de salvamentos pelo governo – uma prova da saúde do sistema bancário que emergiu de uma crise prévia em meados dos anos 1990”, comenta a revista.

Para a Economist, a defesa das empresas estatais também “ignora o sucesso da privatização”. A revista cita os casos da Vale e da Embraer como emblemáticos, mas também afirma que a própria Petrobras, apesar de estatal, cresceu após abrir parte seu capital e começar a atuar mais como uma empresa privada.

A revista conclui dizendo que “de qualquer maneira, Rousseff começou um importante debate, que pode reverberar pelos próximos seis meses”. Mas, citando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, diz que deverá ser uma discussão sobre se o Brasil ‘poderia se dar melhor com ‘um capitalismo burocrático no qual o Estado ordena e resolve as coisas’ ou com ‘um capitalismo liberal e competitivo’”.

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