Em relatório, Ativa diz que a inflação está pressionada e dá sinais preocupantes

Enquanto aguarda para esta quinta-feira a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) –a inflação oficial - do mês de março, a economia brasileira está diante de uma "inequívoca" tendência inflacionária. Ao menos é o que garante a corretora Ativa, em relatório assinado pelos economistas Arthur Carvalho e Henrique Santos. “A combinação atual de nível elevado com uma velocidade de aceleração impressionante deixa sinais claros para o mercado: a inflação está pressionada e dá sinais preocupantes”, diz o documento.

A corretora aponta que o recente movimento dos IGP’s aponta que a inflação não está sujeita, somente, a pressões sazonais, como alimentação e educação. “Os empresários estão com margens muito baixas, devido às quedas de preços, e, diante de uma demanda forte, não há hesitação para retomá-las.”

Do ponto de vista das commodities, a corretora acredita que em 2010 os preços estarão mais pressionados, por conta de problemas climáticos em várias regiões e dos estoques estarem em níveis baixos para padrões históricos.

“A recuperação dos preços das commodities agrícolas, que ao longo do ano passado foi compensada pela queda do câmbio, mudou de figura recentemente devido à estabilidade desta última variável”, apontou o relatório.

Indústria

Para a indústria, a inflação segue sensível à demanda doméstica, variando de acordo com a capacidade de repasse de preços dentro das cadeiras produtivas. A Ativa destaca que o minério de ferro, que é o principal componente do grupo, pode ter uma alta de até 90%, por conta do novo sistema de precificação, baseado no mercado spot (à vista). Caso isso aconteça, a alta equivaleria a 1,4 ponto percentual na inflação.

A corretora conclui que os outros componentes dos IGP’s – preços ao consumidor e INCC – também “não mostram sinais melhores”.

“Concluímos que diante das evidências e da composição do índice é difícil prever um cenário benigno para a inflação neste ano. Agora resta analisar o impacto sobre os preços administrados em 2011”, finalizou a Ativa.

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