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Economia mundial caminha para uma recessão e o Brasil será afetado

Mesmo acreditando que os governos e bancos centrais dos países mais ricos adotaram medidas na direção correta para resolver a grave crise financeira, os economistas que participaram ontem do debate O Brasil e a Crise, realizado pelo Grupo Estado, advertiram que não se deve ter ilusão sobre os efeitos da turbulência na economia real. Na avaliação unânime dos participantes, haverá uma desaceleração da atividade econômica mundial.

Agência Estado |

A dúvida é apenas sobre o grau do desaquecimento que atingirá a todos, incluindo o Brasil.

"Na melhor das hipóteses, a economia mundial vai sofrer uma desaceleração", disse o economista e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Luiz Gonzaga Belluzzo. "Mas ainda não dá para saber o tamanho dessa desaceleração", acrescentou. Para o economista-chefe do banco Santander, Alexandre Schwartsman, "teremos uma recessão", com o crescimento do mundo ficando em 2,5% ou abaixo disso. "As economias centrais devem crescer 0,5% e os países emergentes, menos de 6%", afirmou.

Aqueles que acreditaram que era possível aos países emergentes passarem ao largo da crise devem mudar de idéia. "A tese de descolamento (das economias emergentes da crise financeira que atinge as economias centrais) está se mostrando infundada", disse o economista-chefe para a América Latina do banco UBS Pactual e ex-diretor do Banco Central (BC), Eduardo Loyo.

Todos acreditam, no entanto, que o Brasil será um dos países menos afetados pela turbulência. "Vamos pagar o preço da retração do mundo, mas estamos em condições um pouquinho melhores que os outros e infinitamente melhor do que estivemos no passado", observou o ex-ministro da Fazenda Delfim Netto.

Embora projete uma desaceleração da economia brasileira em 2009, o presidente da Coteminas e do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Josué Gomes da Silva, acredita que ainda será possível crescer 3,5%, a mesma previsão feita por Schwartsman. "2009 não vai ser um ano fácil", reforçou o diretor de economia da Federação Brasileira de Bancos, Tomás Málaga.

O desaquecimento da economia mundial decorrerá, primeiramente, da contração do crédito. "Vamos passar por um processo de contração do crédito que já está contratado", alertou Schwartsman. O empresário Josué Gomes da Silva lembrou que, mesmo antes da crise, já era possível identificar alguns problemas na área do crédito, principalmente aquele destinado ao financiamento de veículos. Para ele, "haverá um refluxo" do crédito, mas o empresário não acredita em uma "queda drástica" dos financiamentos imobiliários.

Outro fator que deve ser considerado, de acordo com os economistas, é o adiamento dos investimentos por causa da volatilidade dos mercados e do alto grau de incerteza. "Se o investimento puder esperar um ou dois meses, o empresário vai esperar. Até para ver como o Banco Central vai agir", disse Silva, numa referência à próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que deve ocorrer no fim de outubro, para decidir sobre a taxa de juro básica da economia (a Selic), que está em 13,75% ao ano.

Os participantes do debate consideram que o Banco Central tem atuado na direção correta, ao procurar normalizar a liquidez do mercado interno e atender à demanda por dólares. Até mesmo alguns "vícios" do Brasil se mostraram, durante a crise, como verdadeiras "virtudes", observou o ex-ministro Delfim Netto. "O elevado depósito compulsório dos bancos que existia permitiu ao Banco Central utilizá-lo para dar maior liquidez à economia", exemplificou.

O economista Luiz Gonzaga Belluzzo incluiu na categoria de "vícios" a elevada taxa de juros brasileira. "Como ela está elevada, o Banco Central poderá reduzi-la", disse.

Os economistas são unânimes na avaliação que a receita tributária do governo deverá ser afetada em 2009. "Não acredito em redução radical do nível de atividade, mas da lucratividade das empresas, o que deve diminuir a arrecadação", disse Eduardo Loyo. Por isso, todos os participantes foram unânimes em recomendar que o governo reduza os seus gastos de custeio, até como forma de manter os investimentos. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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