Diego A. Agúndez Nova Délhi, 13 ago (EFE).

- O Governo indiano assumiu hoje o impacto da crise global em sua economia ao anunciar a diminuição em 1 ponto percentual no crescimento do PIB este ano, que atingirá especialmente o setor agrícola, fonte de renda de 60% de sua população.

Segundo o relatório do Conselho Assessor Econômico (EAC) do Governo apresentado hoje ao primeiro-ministro do país, Manmohan Singh, a economia indiana crescerá 7,7%, em comparação ao 8,7% anunciado pelo ministro das Finanças P. Chidambaram, quando apresentou o orçamento em fevereiro e o 9% do ano fiscal anterior.

A realidade econômica do país foi se afastando nos últimos meses daquele objetivo, com uma desaceleração da atividade econômica em quase todos os setores, uma inflação crescente e um rendimento agrícola preocupante.

Segundo o relatório do EAC, a agricultura crescerá apenas 2% por causa das fracas chuvas de monção da estação úmida e pelo alto nível de base do ano passado.

A agricultura, fonte de vida da maior parte da população indiana, cresceu 4,5% no ano fiscal de 2007-2008, 3,8% no anterior e 5,9% em 2005 e em 2006.

"Um crescimento de 2% significa que a tragédia agrícola se agravará", afirmou a ativista Vandana Shiva, presidente da organização pró-agricultores Navdania, em conversa com a Agência Efe.

"Para um desenvolvimento agrícola aceitável precisamos de um crescimento mínimo de 4%", declarou.

A agricultura indiana cresceu nos últimos anos muito abaixo do resto dos setores econômicos, o que aumentou a brecha entre a sociedade urbana e a rural.

Apesar de o EAC comemorar o aumento na produção de grãos, constatou a diminuição das áreas cultiváveis, a queda do investimento em infra-estruturas, a deterioração do comércio e a ausência de inovação tecnológica no setor.

"O Governo indiano não investe o suficiente e também deixa os camponeses indefesos nas mãos das multinacionais, que lhes impõe sementes e variedades de cultivo danosas, como o algodão BT, que os deixam endividados e sem saída", declarou Shiva.

A estagnação da agricultura tem repercussões diretas sobre milhões de camponeses, que também sofreram nos últimos meses uma franca deterioração de seu poder aquisitivo por causa da tensão inflacionária.

A inflação indiana flutua acima de 12%, o que segundo o EAC se deve ao aumento dos preços internacionais e à queda da oferta interna, com aumentos apreciáveis no azeite, nos alimentos e nos bens de consumo.

Em entrevista para agências indianas, o presidente em fim de mandato do EAC, C. Rangarajan, afirmou que a inflação ainda pode subir para 13%, quando o objetivo do Banco (central) da Índia era de 5,5% para este ano.

Em seu relatório, o EAC considerou possível que a inflação caia e fique entre 8% e 9% em março de 2009 caso sejam aplicadas as políticas corretas.

As informações econômicas negativas se estendem também ao setor industrial, que segundo a entidade crescerá 7,5%, um ponto abaixo do crescimento registrado no ano anterior, por causa das quedas do consumo e da demanda externa.

"A situação é claramente negativa, temos uma desaceleração que se deve ao contexto geral. Entretanto, não podemos atribuir a culpa de tudo o que acontece ao Governo. A responsabilidade é coletiva", declarou à Agência Efe o porta-voz da Associação de Câmaras de Comércio e Indústria da Índia, Koteshwar Dobhal.

Além disso, não são positivas as informações do setor de serviços, que crescerá 9,6%, a taxa mais baixa dos últimos quatro anos e 1,2 ponto percentual a menos que a registrada entre 2007 e 2008.

Estas informações econômicas complicam os últimos meses de mandato de Singh, que enfrenta o eleitorado em 2009.

Seu Governo deverá dar resposta aos sinais de deterioração econômica e ajudar a colocar a economia "no caminho correto", para o que será necessária "uma política monetária ajustada", diz Rangarajan. EFE daa/fal

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