PIB terá ritmo de alta menor no segundo trimestre, mas bom desempenho entre janeiro e março puxará resultado

A economia brasileira vai reduzir o ritmo de crescimento no segundo trimestre do ano, mas, graças ao bom desempenho registrado entre janeiro e março - quando cresceu 2,7% -, deve encerrar o primeiro semestre com o melhor resultado desde 1995. Para isso acontecer, é necessário que o Produto Interno Bruto (PIB) do trimestre cresça, pelo menos, 0,6% em relação aos três primeiros meses do ano.

Os números oficiais sobre o desempenho da economia brasileira entre abril e junho serão divulgados às 9h desta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

PIB no primeiro semestre

Confira o desempenho da economia brasileira no acumulado de janeiro a junho

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Fonte: Serasa Experian


É consenso entre os analistas que a economia não repetirá o bom desempenho do primeiro trimestre, quando cresceu 2,7% em comparação com os três meses anteriores e sonoros 9% em relação ao período entre janeiro e março de 2009. Para o segundo trimestre, a LCA Consultores projeta crescimento de 0,8%, enquanto o Bradesco espera alta de 0,7% e o Itaú-Unibanco, 0,6%. Já o ministro da Fazenda, Guido Mantega, prefere não cravar um resultado e disse, em evento realizado na última segunda-feira, em São Paulo, que espera uma alta “entre 0,5% e 1%”.

Caso confirme a margem estabelecida por Mantega e esperada pelo mercado, a economia brasileira deve encerrar o primeiro semestre de 2010 com o melhor resultado dos últimos 15 anos. Levantamento da Serasa Experian, com base nos dados trimestrais divulgados pelo IBGE, constata que, no acumulado dos seis primeiros meses de 2010, a alta do PIB será de 8,42%. O resultado só é superado pelos 9,46% anotados em 1995 – o maior da série histórica do Indicador de Atividade Econômica, iniciada em 1991.

“É um crescimento atípico, muito refletido pela base fraca do primeiro semestre de 2009”, diz Luiz Rabi, gerente de indicadores de mercado da Serasa Experian. “Normalmente, o País não cresce nesse ritmo”, completou. Analisando os resultados do primeiro semestre desde 1991, percebe-se que o crescimento médio da economia fica na casa dos 3%.

Rabi espera que, no segundo semestre, o PIB retome o crescimento próximo aos 5%, fechando o ano com expansão de 7,1%.

Para Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin, que também projeta crescimento de 0,6% do PIB no segundo trimestre, o resultado pode ser considerado bom, apesar da desaceleração. “Não dá para sustentar o desempenho do primeiro trimestre, quando houve uma convergência de estímulos econômicos.”

Para o fim do ano, Neto projeta crescimento de 6,9% do PIB, recuando para 4,5% em 2011. “Este seria um crescimento mais dentro da nossa capacidade.” 

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