A Comissão da União Europeia revisou em baixa sua previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro este ano, para uma contração de 1,9%. Em novembro passado, o braço executivo da UE havia estimado uma expansão de 0,1% para este ano, mas alertou que uma contração de 1% era possível caso os mercados financeiros continuassem instáveis.

Para todos os 27 países que fazem parte da UE, a Comissão espera agora uma contração de 1,8% do PIB este ano, ante a estimativa de expansão de 0,2% feita em novembro. "Com os eventos ocorrendo a alta velocidade nos mercados financeiros no ano passado, o impacto sobre a economia real tornou-se mais pronunciado", disse a comissão.

A crise tem feito estragos nas taxas de desemprego, que se aproximaram de seus recordes nos últimos anos. A comissão prevê que a taxa de desemprego para a zona do euro subirá para 9,3% este ano, de 7,5% no ano passado. Para toda a UE, a previsão é que o desemprego cresça de 7% no ano passado para 8,7% este ano.

As taxas mais baixas de inflação e o plano de estímulo fiscal de 200 bilhões de euros que o bloco lançou em dezembro vão ajudar as economias a se recuperarem moderadamente em 2010, disse a comissão, acrescentando que as previsões estão "cheias de incertezas excepcionais".

Em 2010, a Comissão da UE disse que a economia da zona do euro deverá expandir-se 0,4%, enquanto toda a UE deverá crescer 0,5%. A recessão nos 16 países da zona do euro "deve durar até este verão" (no Hemisfério Norte), segundo a Comissão.

A Comissão disse também que os pacotes fiscais e as taxas de juros mais baixas deverão proteger a economia contra quedas mais acentuadas, mas alertou que o gasto do governo e a diminuição da receita tributária vão prejudicar as finanças públicas do bloco. Os déficits orçamentários da zona do euro deverão ficar em 4% do PIB em média este ano e em 4,4% em 2010, muito piores do que a média de 1,7% do PIB registrada em 2008. Para a UE como um todo, os déficits orçamentários deverão ficar em 4,4% em média este ano e em 4,8% em 2010.

De acordo com as regras da UE, os países têm de manter seus déficits orçamentários abaixo de 3% do PIB, exceto em circunstâncias especiais. O comissário da UE para assuntos monetários e econômicos, Joaquin Almunia, havia dito antes que os membros poderiam expandir esse limite em 1 ponto porcentual e por apenas um ano. Hoje, ele afirmou que os governos "têm de se comprometer a reverter a deterioração das finanças públicas assim que voltarmos aos tempos econômicos normais".

Almunia disse também que os mercados financeiros da União Europeia estão se estabilizando gradualmente, embora ainda estejam frágeis. Segundo ele, as medidas do Banco Central Europeu (BCE) e dos governos nacionais para capitalizar os bancos estão ajudando os mercados financeiros. "Os mercados financeiros estão progressivamente se recuperando, mas continuam frágeis", afirmou, em entrevista coletiva. Ele destacou que muitos consumidores e empresas ainda enfrentam dificuldade para conseguir financiamento. As informações são da Dow Jones.

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