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Economia da Islândia derrete e país teme quebra

Há poucas semanas, o governo da Islândia se reuniu para tratar de uma ameaça ao futuro da ilha: a elevação dos níveis do mar pelo derretimento das calotas polares. Hoje o problema é outro: o derretimento de sua economia.

Agência Estado |

Ontem, o governo anunciou a nacionalização do maior banco do país e fechou a bolsa de valores, provocando a ira dos ingleses, que têm bilhões nos bancos da ilha. Para analistas, o país nórdico se transformou no exemplo mais concreto do que a crise pode fazer com uma das economias mais ricas do mundo, ameaçada até de "falência nacional".

Ontem mesmo, o Reino Unido ainda ameaçou ir à Justiça contra o governo da Islândia, pedindo indenizações de US$ 1,5 bilhão. Mais de cem prefeituras inglesas tinham investimentos em bancos islandeses e agora têm suas contas ameaçadas.

A Islândia também pode se tornar o primeiro país rico a pedir ajuda ao Fundo Monetário Internacional (FMI). "Nunca pensamos que isso aconteceria. A população vive um clima de insegurança", disse ao Estado um dos principais economistas do país, Snjólfur Ólafsson, professor do Instituto de Estudos Econômicos da Universidade de Reykjavik.

A Islândia tem apenas 304 mil habitantes, pouco menos que a população de Jundiaí (SP). Mas conseguiu nos últimos anos tornar-se um centro financeiro e referência mundial em qualidade de vida. Tem um dos índices de desenvolvimento social mais altos do planeta, elevada expectativa de vida, sistema educacional exemplar, 1% de desemprego e um dos maiores PIBs per capita: US$ 40 mil por ano por pessoa, mais de dez vezes superior ao do Brasil. Para os 304 mil habitantes, existem 340 mil celulares no país.

O problema é que grande parte dessa riqueza não estava baseada em sua produção de bacalhau e, sim, em atrair o sistema financeiro para a ilha. Os recursos depositados em bancos na Islândia chegaram a US$ 100 bilhões, ante um PIB de US$ 14 bilhões do país.

Depois de sucessivas crises nos anos 70 e 80, inflação de 100% e características de uma economia latino-americana, a Islândia optou por um modelo de desregulação total da economia. Friedman, Hayek e outros intelectuais do liberalismo não só apontaram o país como exemplo nos anos 90, como faziam freqüentes viagens e o transformaram em um campo de testes.

O governo privatizou empresas, a indústria de pesca, agência de viagens, gráficas, telefônicas e, claro, os bancos. O imposto de renda caiu pela metade e a carga tributária sobre fortunas foi abolida.

Mas, hoje, todos os modelos de desregulação estão sendo colocados no lixo pelo governo, que acaba de nacionalizar seus três maiores bancos. Ontem, foi a vez do Kaupthing, o maior banco do país, que em 26 de setembro declarou que o ano acabaria com "bons lucros". O Landsbanki e Glitnir também já haviam sido nacionalizados.

A bolsa de valores fechou, assim como todas as operações de câmbio, depois de uma desvalorização de mais de 50% da moeda local. As ações somente voltarão a ser negociadas na semana que vem, e o primeiro-ministro, Geir Haarde, já fala em risco de "falência nacional". Segundo ele, o país pagou o preço de estar se arriscando com volumes de dinheiro bem acima do que a economia de fato produz.

Mas o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, reclama que 300 mil clientes britânicos estão sem acesso a seus investimentos. O volume chegaria a quase US$ 1,5 bilhão, e o temor de Londres é de que o governo islandês não tenha como garantir esses depósitos. O resultado é que mais de cem prefeituras no Reino Unido também podem quebrar. Segundo o ministro das Finanças, Alastair Darling, o governo da Islândia reconhece que "não tinha como honrar suas obrigações". Em represália, Londres já congelou as ações dos bancos islandeses no Reino Unido.

"Aprendemos que não é sábio para um pequeno país tentar ter um papel de liderança no sistema financeiro internacional", disse o primeiro-ministro. O país, no melhor estilo de uma economia emergente, está recebendo uma missão do FMI. Além disso, a Rússia já anunciou que está disposta a emprestar 4 bilhões ao país. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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