A economia da China cresceu 9% em 2008, um resultado muito inferior aos 13% registrados em 2007 e que representa o menor nível de crescimento em seis anos, depois de ter sido seriamente afetada no segundo semestre pela crise econômica mundial.

Apesar do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) chinês ser invejável para algumas economias ocidentais que entraram em recessão, a desaceleração foi contundente nos últimos meses.

Entre outubro e dezembro de 2008 o PIB chinês cresceu apenas 6,8%, depois de uma alta de 9% no terceiro trimestre, um resultado que já era o menor em mais de cinco anos.

"A crise financeira internacional se agrava e se espalha com um impacto negativo contínuo na economia nacional", comentou Ma Jiantang, diretor do Escritório Nacional de Estatísticas, ao apresentar os números à imprensa.

Um dos primeiros efeitos da crise foi a redução da demanda dos países ocidentais, um golpe fatal para a terceira maior economia mundial, muito dependente das exportações.

Nos últimos dois meses do ano passado, as exportações chinesas registraram uma queda, que chegou a 2,8% em dezembro, de acordo com os dados oficiales divulgados na semana passada.

A consequência da desaceleração da atividade é que a produção industrial também reduziu seu ritmo, com um crescimento de 12,9% em 2008, contra +18,5% no ano anterior.

No entanto, os investimentos em capital fixo aumentaram consideravelmente em 2008, a 25,5%, superando levemente o percentual de 2007 (+24,8%).

A força destes investimentos, que ilustram os gastos no setor industrial ou infra-estrutura, principalmente, pode ser visto como um reflexo dos esforços do governo para estimular a atividade econômica.

Consciente da rápida desaceleração da economia, o governo de Pequim anunciou em novembro um pacote de medidas para inverter a tendência, começando por um grande plano de investimentos e medidas fiscais.

O governo pretende aportar diretamente 1,8 dos quatro trilhões de yuanes (586 bilhões de dólares) necessários para este grande plano, que será aplicado até o fim de 2010. O restante será desembolsado pelas autoridades locais e as empresas.

A nova tendência da economia chinesa aliviou, porém, o que no início de 2008 era a grande preocupação do governo: a inflação, agora controlada.

Depois da disparada dos preços no começo do ano passado (quase de 9%), a inflação em dezembro foi de apenas 1,2%. O aumento dos preços no conjunto de 2008 foi de 5,9%, contra 4,8% em 2007, de acordo com dados oficiais.

Agora alguns analistas se questionam até mesmo sobre a possibilidade de deflação.

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