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Economia britânica enfrenta risco de deflação

Depois de ter se preocupado muito com a alta dos preços, o Banco da Inglaterra (BoE) mencionou nesta quarta-feira um risco de deflação e se disse disposto a continuar baixando suas taxas de juros, como instrumento para enfrentar a recessão que está se instalando no Reino Unido.

AFP |

Em seu relatório trimestral sobre a inflação, o Banco Central britânico avisou que a alta dos preços poderá, no próximo ano, não apenas ultrapassar a meta de 2% fixada para a instituição, mas também se transformar em baixa, ou seja em deflação - um cenário que está, agora, entre as hipóteses estudadas pelo BoE para decidir a política monetária.

"A economia provavelmente entrou em recessão no segundo semestre de 2008, e a atividade pode se contrair ainda mais", admitiu o BoE.

"O sistema bancário sofreu suas turbulências mais fortes desde a Primeira Guerra Mundial", afirma o preâmbulo do relatório do BoE, insistindo na "necessidade de elevar o grau de estímulo fiscal" que o governo prometeu aplicar ante "o grau de incerteza em relação à desaceleração da economia".

A chegada da deflação é muito provável, já que novas reduções das taxas, depois do corte espetacular de um ponto e meio percentual registrada em novembro, que levou a taxa básica para 3%, são previstas pelo mercado.

O governador Mervyn King afirmou durante a entrevista coletiva realizada após a publicação do relatório que sua instituição estava disposta a flexibilizar novamente sua política monetária, se fosse preciso.

Depois da publicação do relatório, a libra desmoronou frente ao euro, caindo a 82,38 pence para um euro, um nível nunca atingido desde a criação da moeda única.

Este relatório marca uma nítida mudança em relação aos precedentes, observaram os analistas.

Em seu relatório anterior, publicado em agosto, o BoE antecipara um cenário contrário, o de uma disparada da inflação, depois do aumento dos preços das matérias-primas. Segundo o BoE, a inflação deveria superar os 5% antes do fim de 2008, um prognóstico que se confirmou em setembro.

No médio prazo, isso significa que King vai ter que escrever novamente ao ministro das Finanças para dar explicações. Trata-se de uma obrigação oficial quando a evolução dos preços é superior em mais de um ponto percentual à meta de 2%.

Esta tendência deflacionista foi confirmada por vários indicadores nas últimas semanas, como os preços na produção. Eles caíram 1% no mês de outubro no Reino Unido, o que representa a maior baixa mensal da história, num momento em que os preços do setor imobiliário registravam uma nova queda anual.

Indiretamente, ela também foi confirmada pelos sinais de desaceleração da economia britânica, com o Produto Interno Bruto (PIB) caindo 0,5% entre o segundo e o terceiro trimestre.

A taxa de desemprego da Grã-Bretanha atingiu seu maior nível desde 1997, com 5,8% contra 5,4% para os três meses precedentes.

Segundo o BoE, o cenário deflacionista pode continuar até pelo menos 2011, e a baixa dos preços pode chegar a 1%.

mda/yw/sd

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