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BRASÍLIA - A atividade mais aquecida é responsável por déficits recordes na conta corrente externa em março e no primeiro trimestre do ano, segundo o Banco Central (BC). Os resultados foram os piores da série histórica iniciada em 1947.

BRASÍLIA - A atividade mais aquecida é responsável por déficits recordes na conta corrente externa em março e no primeiro trimestre do ano, segundo o Banco Central (BC). Os resultados foram os piores da série histórica iniciada em 1947. Para abril, a expectativa é de que essa conta apresente déficit de US$ 4,8 bilhões. A autoridade monetária divulgou que o resultado dos compromissos externos do país em março ficou deficitário em US$ 5,067 bilhões, ante déficit de US$ 1,559 bilhão no mesmo mês de 2009. E acumulou entre janeiro e março déficit de US$ 12,145 bilhões, cerca de 146% acima do déficit de US$ 4,938 bilhões de igual período do ano anterior. Segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, a piora nas contas externas deve-se ao vigor da recuperação econômica, que aumenta os gastos com serviços e as remessas de lucros das multinacionais. Ele citou que a conta de serviços que acumulou saídas líquidas de US$ 13,823 bilhões no primeiro trimestre, ante US$ 8,78 bilhões em período igual de 2009. "Quase um quarto dos US$ 12,1 bilhões no déficit do trimestre vem da conta de serviços", citou Lopes, listando remessas de US$ 3,5 bilhões nessa rubrica. Com a pressão de gastos com viagens internacionais, que acumularam US$ 1,685 bilhão líquidos no período, mais de três vezes acima dos US$ 495 milhões sobre o primeiro trimestre do ano passado. Somente em abril, até hoje, as despesas líquidas de turistas brasileiros no exterior já somam US$ 458 milhões. A segunda e mais expressiva pressão partiu da conta de rendas. O crescimento da atividade aumenta os lucros e dividendos da multinacionais, que somaram US$ 4,586 bilhões entre janeiro e março, sendo US$ 2,5 bilhões somente em março. Em abril, até hoje, já foram enviados US$ 2,129 bilhões nessa rubrica. A terceira vertente a contribuir para a piora na conta corrente foram os fracos resultados do comércio exterior, outra consequência do maior dinamismo da economia, que amplia o volume das importações. No trimestre, o saldo comercial foi positivo em US$ 892 milhões, menos de um terço dos US$ 2,968 bilhões de janeiro a março de 2009. Lopes acredita, entretanto, em melhora do resultado comercial por aumento das exportações"a partir de maio ou junho"e por aumento nos preços das commodities e da quantidade exportada. (Azelma Rodrigues | Valor)
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