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¿É impossível que o Equador não pague o BNDES¿, diz presidente da Odebrecht

RIO DE JANEIRO ¿ O empresário Marcelo Odebrecht disse nesta quinta-feira que a hipótese do governo equatoriano deixar de pagar a dívida de US$ 243 milhões ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é praticamente impossível. Segundo ele, essa estratégia não poderá ser adotada porque a dívida em questão está atrelada ao Convênio de Créditos Recíprocos (CCR), mecanismo que facilita as operações de crédito na América Latina por meio da garantia de todos os bancos centrais. A afirmação foi feita durante a conferência da Associação Mundial das Agências de Promoção de Investimentos (Waipa), que está sendo realizada em um hotel em Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro.

Anderson Dezan, do Último Segundo |

 

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"É impossível o governo equatoriano deixar de pagar a dívida do BNDES. Se ele faz isso, ele vai entrar em default com toda a América Latina. Nem que ele queria, ele consegue", disse Odebrecht. "Uma vez que a dívida está no CCR, o Equador não pode pegar aquela parte da dívida e entrar em default. Ele vai ter que entrar em default contra todo o fluxo de comércio e contra todos os países [da América Latina]".

A crise diplomática entre Brasil e Equador teve início em novembro, quando o governo equatoriano pediu a abertura de arbitragem internacional questionando a legalidade de uma fatia da dívida que tem o Brasil. O alvo era um crédito de US$ 243 milhões concedido pelo BNDES para a construção de uma hidrelétrica no Equador. No entanto, o governo equatoriano alega que a dívida com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social é ilegal, pois há irregularidades na obra.

O BNDES concedeu um empréstimo de US$ 286 milhões para financiar a construção da hidrelétrica de San Francisco, a cargo da construtora Odebrecht. A empresa foi expulsa do Equador em setembro sob uma acusação do governo local de ter se recusado a pagar uma indenização por supostas falhas estruturais que afetaram o fornecimento de energia no País por cerca de dois meses.

Para Marcelo Odebrecht, a crise diplomática entre os dois países transcende ao problema da construtora e até mesmo ao governo brasileiro. De acordo com o empresário, o momento atual é complicado não só para a Odebrecht, mas como também para todas as empresas que mantêm bases no Equador. No entanto, ele não descarta um retorno das operações da construtora no País.

"Quando nós decidimos ir para um País, a gente pensa na nossa perpetuidade naquele País. Nós infelizmente tivemos esse problema com o Equador. É um problema que a gente espera um dia poder superar. No futuro, a gente espera poder entrar no Equador como sempre estivemos", afirmou o empresário.

Crise mundial

Durante a conferência no Rio, Marcelo Odebrecht ainda minimizou os efeitos da crise financeira mundial sobre a construtora na qual preside a área de engenharia e construção. Segundo ele, mesmo com a desaceleração da economia, nenhum projeto da empresa foi adiado. No entanto, não foram iniciadas novas obras.

De acordo com Odebrecht, o volume de investimentos que a construtora tem em Angola e na Venezuela é equivalente ao existente no Brasil. Projeções da empresa apontam investimentos na casa de US$ 4 bilhões nestes dois países nos próximos anos, sendo o maior deles o da plataforma petroquímica da Braskem em território venezuelano.

"A Odebrecht tem um programa de investimentos de quase R$ 1 bilhão por ano no setor de açúcar e álcool. Na área petroquímica também continuam os investimentos. Obviamente que aquilo que pode ser postergado se administra, mas sem comprometer os investimentos previstos. Na área de infraestrutura tudo continua normal", declarou.

Para ele, nesse cenário de crise global, ainda é cedo para dizer se algum investimento será economicamente viável ou não. Segundo o empresário, o cenário é de precaução em todas as companhias do ponto de vista da liquidez. "Quando acabar a crise, o pessoal vai se tocar de que aquilo que eles pensavam que era arriscado, como países e empresas emergentes, são menos arriscados do que aqueles avaliados como seguros", finalizou Odebrecht.

Veja também:

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