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E a crise chegou até aos #145;estáveis #146; bancos suíços

Um velho ditado do sistema financeiro alerta que se um dia um banco suíço entrar em crise, o mundo deve se preparar para o pior. E o que os suíços pensavam que era impossível ocorreu.

Agência Estado |

O governo suíço anunciou um pacote multibilionário para salvar o sistema financeiro, principalmente para o banco UBS que ontem admitiu que seus clientes já retiraram quase US$ 70 bilhões de suas contas. O governo do Catar anunciou uma ajuda ao Credit Suisse. Nas praças financeiras de Genebra e Zurique, o clima era de reconhecimento do fim do "isolamento esplêndido" da Suíça.

O pacote supera a marca de US$ 60 bilhões em recursos públicos e mais US$ 10 bilhões por parte de investidores privados. Na prática, os suíços dão um passo além de todas as experiências internacionais. Com o fundo, criam um "banco podre". Os partidos de oposição querem que os executivos dos bancos devolvam agora seus bônus recebidos nos últimos dois anos.

A medida representa um choque na imagem da Suíça como o país mais estável do mundo em termos financeiros, isenta de crises e guerras. Mas o cálculo dos economistas é de que, se o pacote não fosse implementado agora, um prejuízo levaria toda a economia suíça à falência. Os dois bancos resgatados ontem gerenciam recursos sete vezes superiores ao Produto Interno Bruto (PIB) do país alpino. Só em termos de arrecadação, o governo conta com os bancos para 20% de seu próprio orçamento. O UBS conta com recursos de US$ 1,7 trilhão, quatro vezes a economia da Suíça.

Mas hoje 70% da população não confia em seus bancos na Suíça. Ontem o UBS anunciou que apenas em três meses quase US$ 45 bilhões foram retirado de seus cofres pelos clientes, assustados com a situação do banco. No segundo trimestre, o banco perdeu outros US$ 17 bilhões. No resto do mundo, a corrida para tirar dinheiro do UBS também ocorreu. O banco perdeu mais de US$ 30 bilhões em ações no terceiro trimestre.

Diante do temor de que a crise possa arrasar o banco, o governo suíço decidiu intervir. A primeira medida foi a injeção direta de US$ 14,1 bilhões, tanto por parte das autoridades suíças no caso do UBS como pela Autoridade de Investimentos do Catar, um fundo soberano do país árabe, no Credit Suisse.

Além da injeção, o Banco Central da Suíça criou um fundo para absorver as ações podres do UBS. O fundo está sendo chamado na Europa de o "primeiro banco podre" do continente. A medida representa uma reviravolta na posição suíça. Há apenas cinco dias, o governo rejeitou a possibilidade de intervir.

Jean-Pierre Roth, o presidente do BC suíço, explicou que a decisão de lançar o pacote era o de evitar o pior no futuro. "Seria preferível fazer essa operação agora, de forma ordenada, ao lugar de fazer depois em uma situação potencialmente mais adversa", disse.

Roth admitiu que o plano era "sem precedentes". Na prática, o governo ficará com 9% das ações do banco. O UBS já teve prejuízos de US$ 44 bilhões diante da crise. Sua relação íntima com a economia americana também o transformou em uma das principais vítimas da crise na Europa. No total, essa compra de ações custará ao governo suíço US$ 5,3 bilhões.

Mas um fundo de resgate de ações podres ainda somaria outros US$ 54 bilhões, uma medida parecida ao que tomou os Estados Unidos com seus bancos. Já os governos europeus não seguiram a mesma linha.

"Com essa transação, o UBS se resguarda de potenciais perdas no futuro", afirmou o UBS em um comunicado. Parte do dinheiro do fundo será usado para comprar ações avaliadas em US$ 31 bilhões que estavam relacionados com o subprime americano e hipotecas nos Estados Unidos. Com a medida, a exposição do banco a esses riscos ficaria zerada.

Para o diretor-executivo do UBS, Marcel Rohner, o pacote é uma "medida definitiva" para garantir uma redução do risco em um ambiente financeiro turbulento. Rohner ainda completou que o pacote dá agora ao UBS um "conforto" e a possibilidade de proteger os clientes. Nos últimos meses, o banco demitiu 7 mil trabalhadores.

O pacote suíço se parece com o que vem sendo implementado na Europa e nos Estados Unidos. Mas dá um passo além, com garantias até março, compra de todas as ações e outras injeções.

Já o Credit Suisse, o segundo maior banco suíço, anunciou ontem que estaria se recapitalizando em US$ 8,8 bilhões com a ajuda de um fundo soberano do governo do Catar. No terceiro trimestre do ano, o banco somou perdas de US$ 1,3 bilhão.

O presidente do Credit Suisse, Brady Dougan, afirmou ontem que o banco decidiu não participar do pacote do governo suíço. Mas admitiu que o setor financeiro sofre um impacto "sem precedentes". Um fundo do Catar irá basicamente fazer o trabalho de recapitalizar o banco suíço.

Para o governo, o pacote será "positivo para a economia suíça e é de interesse de todos". A avaliação é de 70 mil empresas na Suíça seriam afetadas por uma crise maior no UBS. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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