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As Bolsas americanas voltaram a fechar em queda, com o índice Dow Jones acumulando uma perda de mais de 460 pontos nos dois últimos dias, na maior queda em dois pregões consecutivos desde 2002; o Dow Jones fechou apenas 245 pontos acima da mínima de fechamento do ano, alcançada na quarta-feira passada; o S&P-500 ficou a apenas 32 pontos de sua mínima de fechamento do ano. Assim como ontem, a queda hoje foi atribuída às incertezas que cercam o pacote de US$ 700 bilhões em socorro às instituições financeiras anunciado no fim de semana nos Estados Unidos.

Embora o presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Ben Bernanke, e o secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, tenham defendido a proposta em depoimento a um comitê do Senado, os integrantes do Congresso mostraram resistências, ao mesmo tempo que prosseguem as dúvidas sobre se o pacote contribuirá para a recuperação da economia. "As pessoas querem ouvir novidades concretas sobre o plano, parece que eles ainda têm algum trabalho pela frente. Isso nos traz mais incerteza, e uma coisa que Wall Street odeia é incerteza", comentou Joe Saluzzi, da Themis Trading.

Das 30 componentes do Dow Jones, 27 ações fecharam em queda (as exceções foram American Express +2,65%, Intel +0,70% e Microsoft +0,16%). Em meio às incertezas sobre a economia, as ações da General Motors caíram 7,43% e as da General Electric perderam 4,59%. As ações dos setores de metais, petróleo e outras commodities estavam entre as que mais caíram, em reação à retomada do movimento de queda dos preços das commodities (Alcoa -4,51%, ExxonMobil -1,51%, Chevron -2,14%).

O índice Dow Jones fechou em queda de 161,52 pontos (-1,47%), em 10.854,17 pontos. O Nasdaq fechou em queda de 25,64 pontos (-1,18%), em 2.153,34 pontos. O S&P-500 caiu 18,87 pontos (-1,56%), para 1.188,22 pontos.

Títulos

Os preços dos títulos de curto prazo do Tesouro dos EUA subiram, com correspondente baixa nos juros. Os preços dos Treasuries de 10 e de 30 anos caminharam na direção oposta. A alta dos preços das T-Notes de 2 e de 5 anos foi atribuída ao crescimento da preocupação dos investidores quanto ao pacote de socorro ao setor financeiro de US$ 700 bilhões anunciado no fim de semana. Embora Bernanke e Paulson tenham passado horas defendendo o pacote durante uma audiência no Senado, deputados e senadores do Partido Democrata, de oposição ao governo do presidente George W. Bush, disseram que o plano só será aprovado pelo Congresso com mudanças substanciais em relação ao que foi anunciado.

"Claramente, até agora o plano Paulson não fez muito para aliviar os temores quanto ao setor financeiro e aos mercados em geral. A aversão a risco que vimos na semana passada está voltando a nos assombrar novamente, e isso provavelmente vai continuar até o fim do trimestre", disse o estrategista Ira Jersey, do Credit Suisse. Para Glenn Holland, vice-presidente sênior da divisão de estratégia para renda fixa da Newedge USA, os participantes do mercado estão preocupados com "a total falta de clareza sobre como o pacote de socorro vai ficar".

Em Chicago, no fim da tarde, os contratos futuros de Fed Funds para novembro projetavam uma probabilidade de 58% de que o Fed reduza a taxa dos Fed Funds de 2% para 1,75% ao ano na reunião de 28 e 29 de outubro; ontem, essa projeção estava em 34%.

No fechamento em Nova York, o juro projetado pelos T-Bonds de 30 anos estava em 4,406% ao ano, de 4,395% ontem; o juro das T-Notes de 10 anos estava em 3,822%, de 3,808% ontem; o juro das T-Notes de 2 anos estava em 2,072%, de 2,097% ontem. As informações são da Dow Jones.