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As Bolsas de Nova York devem digerir o anúncio feito no final da manhã pelo presidente norte-americano, George W. Bush, de que concederá socorro às montadoras.

Pouco antes das declarações do presidente dos EUA, as agências internacionais, citando fontes do primeiro escalão do governo, informavam que a Casa Branca ofereceria um total de US$ 17,4 bilhões do Programa de Alívio de Ativos Problemáticos (Tarp) às montadoras entre dezembro e fevereiro.

Às 12h31 (de Brasília), o índice Dow Jones avançava 1%, o Nasdaq ganhava 1,52% e o S&P 500 subia 1,01%. Os índices futuros chegaram a recuar das mínimas após o anúncio, mas passaram a ficar de lado em seguida e caíram até a interrupção dos negócios para a abertura do pregão regular.

As ações da GM, entretanto, reagiram em forte alta à divulgação da ajuda, disparando 20% às 12h21 (de Brasília). Os papéis da montadora são parte da cesta Dow Jones e pode favorecer recuperação do mercado.

Mas a possibilidade maior, conforme comportamento dos índices futuros e a falta de reação positiva também na Europa à ajuda às montadoras, é de que o mercado opere com volatilidade. Hoje é dia de vencimento quádruplo, o que normalmente acentua a oscilação de preços.

O mercado também monitora o comportamento dos preços do petróleo, com o contrato do petróleo leve para janeiro, que vence hoje, abaixo dos US$ 35 por barril.

Os fundos do governo dos EUA às montadoras deverão ser distribuídos em duas etapas, segundo as informações das agências, a primeira totalizando US$ 13,4 bilhões em dezembro e janeiro. Uma segunda parcela, de US$ 4 bilhões, seria oferecida em fevereiro, dependendo da liberação da segunda metade dos US$ 700 bilhões do Tarp. Pelo termos do plano, os empréstimos terão de ser devolvidos em 31 de março se as empresas não provarem sua viabilidade financeira.

Em entrevista coletiva, o presidente George W. Bush disse apenas que permitir um colapso do setor automotivo não seria responsável e uma concordata levaria a um colapso desordenado dessa indústria. Para ele, a quebra das montadoras poderia aprofundar a recessão. Bush não fez declarações sobre valores.

Os futuros do petróleo operam em baixa em Nova York, uma vez que os receios de desaquecimento na demanda pela commodity se sobrepõem ao corte de produção anunciado esta semana pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo. A queda nos futuros do petróleo "irá reforçar a sensação de que as notícias econômicas são ruins", disse Malcolm Polley, diretor de investimentos da Stewart Capital Advisors.

Ainda assim, explicou ele, as notícias sobre a ajuda do governo às montadoras devem influenciar mais o mercado, especialmente em um dia sem indicadores econômicos previstos.

Dentro do setor automotivo, os papéis da Toyota Motor podem ficar sob pressão depois que o jornal Nikkei publicou que a montadora poderá registrar seu primeiro prejuízo operacional neste ano fiscal que termina em 31 de março.

Nos demais setores, a Research In Motion divulgou ontem à noite aumento de 7% no lucro do terceiro trimestre fiscal e surpreendeu investidores com uma previsão melhor que o previsto para o trimestre atual, devido à forte demanda por novos aparelhos BlackBerry. A rival Palm Inc. divulgou perda maior no trimestre, uma vez que a receita com seus smartphones caiu 39%. As informações são da Dow Jones.