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Dona do #145;Los Angeles Times #146; pede concordata

A companhia de mídia americana Tribune Co., proprietária dos jornais Los Angeles Times e Chicago Tribune, pressionada por uma dívida de quase US$ 13 bilhões, entrou ontem com pedido de concordata.

Agência Estado |

A empresa, que também é dona de outros jornais, como o Baltimore Sun, e da equipe de beisebol Chicago Cubs, apresentou o pedido a um tribunal federal de falências no Estado de Delaware.

A companhia informou em comunicado que continuará operando normalmente durante o período de reestruturação da dívida e que seguirá publicando seus jornais e administrando seus canais de televisão e outras propriedades, sem interrupção. A Tribune insistiu em dizer que tem "dinheiro suficiente" para garantir a continuidade de suas operações.

"A queda acelerada da receita e o difícil ambiente econômico se somou à crise de créditos, o que tornou extremamente difícil pagar nossa dívida", disse Sam Zell, o magnata do setor imobiliário proprietário do grupo. "Todas as nossas receitas com propaganda foram afetadas de forma dramática." A Tribune foi adquirida por Zell em dezembro de 2007, numa transação de US$ 8,2 bilhões.

No domingo, o Chicago Tribune informou que a empresa matriz havia contratado assessores para dar andamento ao pedido - o banco de investimentos Lazard e o escritório de advocacia Sidley Austin -, enquanto analisava suas opções financeiras. "O ambiente atual é incerto e difícil", disse o porta-voz da Tribune, Gary Weitman, em artigo publicado no domingo na página do jornal na internet. O The Wall Street Journal, citando fontes familiarizadas com o assunto, já tinha informado que o fluxo de caixa da Tribune poderia não ser suficiente para pagar quase US$ 1 bilhão de juros da dívida este ano.

De acordo com informações da companhia, entre os credores estão o banco JP Morgan, com US$ 8,57 bilhões a receber, e o banco Merrill Lynch, com crédito de US$ 1,6 bilhão. O pedido de concordata não inclui o Chicago Cubs ou o estádio Wrigley Field, onde o time joga. A Tribune, no entanto, já vem tentando vender esses dois ativos.

Inicialmente, a empresa esperava que seus lucros, com os periódicos e a televisão permitiriam cobrir os pagamentos dos juros e da dívida, mas a queda abrupta das receitas obtidas com anúncios, na maioria dos jornais do conglomerado, obrigou-a a fazer cortes, inclusive de pessoal, e vender bens para conseguir receita.

Entre as vendas feitas pelo grupo estão a do jornal Newsday, de Nova York, para a Cablevision Systems Corp. No terceiro trimestre, a Tribune também vendeu uma participação de 10% no site de empregos CareerBuilder, para o grupo Gannett, por US$ 135 milhões.

Para analistas, não há dúvidas de que a Tribune está sob muita pressão. "As condições financeiras da Tribune são uma mostra da doença que se alastrou sobre essa indústria", disse Jerome Reisman, advogado especializado em falências.

Além dos jornais, o grupo Tribune também é dono de 23 estações de televisão, e a expectativa para essas unidades é serem atingidas pelo declínio na publicidade que sempre se segue após as eleições. "Isso tem sido, para dizer o mínimo, a tempestade perfeita", disse Zell.

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