SÃO PAULO - A moeda norte-americana fechou em alta ante o real, mas o ímpeto comprador foi bem menos acentuado do que o observado em dias com o mesmo panorama de hoje - cenário externo negativo, commodities e Ibovespa em forte baixa. Ao final do pregão, o dólar comercial apontava ganho de 0,21%, negociado a R$ 2,318 na compra e R$ 2,320 na venda.

Esse foi o terceiro pregão seguido de valorização.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), a divisa fechou em direção contrária, apontando queda de 0,69%, valendo R$ 2,310. O giro financeiro somou US$ 179,25 milhões, quase duas vezes maior que o registrado na sexta-feira.

Segundo o gerente de operações da B & T Associados Corretora de Câmbio, Marcos Trabbold, a expectativa era de que o dólar puxasse forte para cima em função das perdas de 5% na Bovespa, mas a taxa não teve sustentação.

O especialista aponta que a formação do câmbio ainda está pouco relacionada com as operações efetivas de mercado, como importação e exportação. A taxa reflete os movimentos especulativos de tesourarias e outros grandes investidores no mercado futuro.

Semana passada, ficou visível a redução das posições compradas (apostas contra o real) na BM & F e tal movimento pode estar se repetindo agora em dezembro. Segundo Trabbold a redução das posições compradas ajuda a tirar pressão de alta na formação no câmbio, mas o montante "comprado" ainda é grande, passando de US$ 9 bilhões.

Ainda de acordo com a avaliação do especialista, alguns investidores podem estar dando início à zeragem de suas posições, para não passar o fim de ano posicionado.

Se esses agentes continuarem desovando dólares no mercado futuro, a taxa pode cair um pouco mais, mas Trabbold aponta que há uma grande sustentação de preço em torno dos R$ 2,20 a R$ 2,30, que deve valer até o encerramento de 2008.

No lado do comércio exterior, o gerente afirma que alguns exportadores retornaram ao mercado, internalizando dólares. Já os importadores seguem fora, postergando ao máximo os vencimentos à espera de uma taxa mais atrativa.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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