O dólar fechou em baixa hoje, pela terceira sessão consecutiva, ampliando para 8,04% a desvalorização da moeda americana em relação ao real nos três primeiros dias úteis desta semana. No fechamento, o dólar comercial caiu 2,06%, a R$ 2,14 no mercado interbancário de câmbio.

Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar à vista caiu 1,97% a R$ 2,142. O giro financeiro total foi de aproximadamente US$ 4,7 bilhões.

Com a oferta de liquidez garantida pelo Banco Central e um cenário externo mais ameno, a demanda doméstica por dólares diminuiu esta semana, permitindo um alívio nas cotações. Por isso, o dólar persistiu em baixa, mesmo tendo o BC vendido apenas parcialmente os lotes de swap cambial ofertados em dois leilões realizados hoje. A autoridade monetária ofertou em duas operações um total de 45,7 mil contratos de swap cambial com três vencimentos, equivalentes a US$ 2,285 bilhões. No entanto, a autoridade monetária vendeu 47% dessa oferta, ou seja, 22,1 mil contratos ou cerca de US$ 1,084 bilhão.

"As cotações persistiram no terreno negativo, mesmo após mais uma venda parcial de swap, porque a demanda por moeda está menor esta semana tendo em vista a melhora externa momentânea", explicou o operador de câmbio Marcelo Oliveira, da Liquidez Corretora. Segundo ele, com o humor um pouco melhor no mercado internacional e a certeza de que o BC seguirá dando "saída" ao mercado cambial por meio da oferta de liquidez, as instituições financeiras não estão mais tão tomadoras de dólares, como nas últimas semanas, e passaram a pedir prêmios mais altos nas ofertas de swap cambial. Mas o BC é seletivo e, como vê que a necessidade de dólares não está mais tão grande como nas últimas semanas, passou a descartar as ofertas com taxas consideradas altas.

A decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) de cortar em 0,50 ponto porcentual a taxa básica de juros americana para 1% ao ano, no menor nível desde 2004, já havia sido precificada pelo mercado cambial. Por isso, o dólar não mostrou reação significativa após o anúncio, que foi feito próximo do fechamento dos negócios no mercado interbancário. As autoridades do Fed, em seu comunicado, deixaram a porta aberta para cortes adicionais, a níveis não vistos em meio século, colocando as taxas no rumo do juro zero. O Fed votou por unanimidade pela redução do juro.

Para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), a expectativa é de uma pausa no ciclo de alta da taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano. A decisão será anunciada ainda hoje, após o fechamento da Bolsa brasileira.

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