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Dólar vai a R$ 1,815 e BC suspende leilão de compra

O dólar atingiu ontem o maior valor desde janeiro e, pela primeira vez desde outubro do ano passado, o Banco Central (BC) não fez seu tradicional leilão de compra de moeda americana durante a tarde. A alta de 1,68% levou a cotação para R$ 1,815.

Agência Estado |

Em setembro, o dólar acumula valorização de 11,15%. No ano, de 2,25%.

Diferentemente do que ocorreu na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que avançou ontem 3,3%, o mercado de câmbio continuou refletindo as tensões em relação à economia global. "Está em curso no mundo um processo gigantesco de desmonte de operações (por parte dos investidores), que também afeta o Brasil", explicou o economista-chefe do Banco Safra, Eduardo de Faria Carvalho.

Segundo Mario Battistel, gerente de câmbio da Fair Corretora, o que está por trás desse processo é a percepção de que a Europa pode entrar em recessão. O impacto no mercado cambial se dá de duas maneiras.

Primeiro, os investidores saem da região para aplicar em lugares com crescimento maior. "Isso fez o dólar se valorizar no mundo todo, não só no Brasil", afirmou Battistel. "Hoje (ontem), por exemplo, está ganhando de todas as outras moedas, com exceção do iene."

Além disso, os preços das commodities caem por causa da expectativa de menor demanda - a economia européia tem quase o mesmo tamanho da americana. Como o Brasil exporta commodities, perde receitas de exportação com o recuo desses produtos.

Desde 5 de outubro do ano passado, o BC comprava diariamente moeda americana nos leilões vespertinos. O maior reflexo dessa política foi o aumento das reservas internacionais, que se expandiram em US$ 43,9 bilhões no período, para os atuais US$ 206,1 bilhões.

No ano passado, o BC ficou fora do mercado de câmbio entre 13 de agosto e 5 de outubro. O fato coincidiu com o início da crise imobiliária nos Estados Unidos. Na última vez em que o BC se ausentou das compras, o dólar rondava R$ 1,80.

Os especialistas não se arriscam a dizer até onde - e quando - pode ir a valorização do dólar ante o real. Mas avaliam que, quando a atual onda de tensão nos mercados passar, a moeda brasileira deve voltar a ganhar terreno - ainda que em intensidade inferior à vista entre julho e o início de agosto, quando o dólar bateu no piso dos últimos anos, cotado por R$ 1,562.

"Dois fatores favorecem estruturalmente o real: a taxa de juro brasileira e o crescimento interno robusto, que atrai investimento estrangeiro direito (IED) para o País", observou o vice-presidente sênior da mesa de operações do Banco West LB, Alexandre Ferreira.

Na avaliação dos analistas, o aumento do déficit em conta corrente do Brasil ainda não preocupa os investidores. O buraco nas contas externas atingiu US$ 19,5 bilhões entre janeiro e julho, o equivalente a 1,41% do Produto Interno Bruto (PIB). No mesmo período do ano passado, havia um superávit de US$ 1,695 bilhão.

"O Brasil adota há algum tempo políticas de boa qualidade", disse Carvalho, do Safra. Ele destaca a melhora das contas públicas, que afastou o risco de o País dar calote, o câmbio flutuante e as metas de inflação. "Isso atrai investimento estrangeiro direto e faz crescer o fluxo de dinheiro para bolsa de valores e para renda fixa."

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