A valorização global do dólar e a queda do preço das matérias-primas devolveram a taxa de câmbio nesta sexta-feira para o patamar de R$ 1,60, com a quinta alta consecutiva da moeda americana no Brasil. O dólar subiu 1% nesta sessão, para R$ 1,609. A alta acumulada na semana foi de 3,01%.


Segundo Carlos Alberto Postigo, operador de câmbio do Banco Paulista, o mercado brasileiro acompanhou "basicamente a valorização (do dólar) em relação às demais moedas".

O dólar atingiu o maior valor em vários meses diante do iene e da libra esterlina . Moedas de países emergentes como peso chileno, peso mexicano e peso colombiano também se desvalorizaram ante o dólar. O euro caiu abaixo de US$ 1,50 pela primeira vez desde fevereiro.

Na pauta do mercado estava a preocupação com a economia global. Na véspera, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, disse, por exemplo, que vê agora mais riscos ao crescimento econômico da zona do euro.

Com a perspectiva de uma atividade econômica mais fraca nas principais economias do mundo, a cotação das matérias-primas também despencou. O índice Reuters-Jefferies CRB de commodities caía 3,03% às 16h21 (horário de Brasília).

Caso se consolide a tendência de baixa do preço das commodities, a balança comercial do Brasil pode sofrer o impacto do preço menor de exportações agrícolas e de metais.

Para Postigo, no entanto, é preciso esperar a próxima semana para definir se ainda há espaço para a continuidade da alta do dólar e da queda das matérias-primas. "Vamos ver como fica o comportamento das moedas", disse.

O Banco Central fez um leilão de compra de dólares no final da sessão. Segundo um operador, foi aceita uma das propostas divulgadas, com taxa de corte de R$ 1,6113.

Bovespa

O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, inverteu novamente o sinal e voltou para o terreno negativo. Às 16h17, o Ibovespa cedia 1,52%, aos 56.152 pontos, seu pior desempenho no dia até então.

A desvalorização das ações da Petrobras, que reagem à forte queda do preço do petróleo, contribui negativamente para o desempenho do índice. Petrobras PN, o papel de maior peso entre os 66 que compõem a carteira teórica do Ibovespa, perdia 3,10% no horário citado, enquanto Petrobras ON recuava 2,47%. Na Bolsa Mercantil de Nova York, o petróleo encerrou o dia em baixa de 4,02%, aos US$ 115,20 por barril.

Os papéis da Vale, segunda empresa de maior peso no Ibovespa, também puxavam o índice para baixo: Vale PNA registrava queda de 2,42% e Vale ON recuava 2,88%.

O desempenho da Bolsa paulista acontecia em sentido contrário ao do mercado acionário de Nova York. Lá, o índice Dow Jones subia 2,53%, o Nasdaq ganhava 2,23% e o S&P-500 avançava 2,18%. Nas bolsas nova-iorquinas, a queda do petróleo impulsiona a compra por ações.

Com informações da Reuters e da Agência Estado

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