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SÃO PAULO - Descolado do movimento nas bolsas, commodities e outras moedas, o dólar comercial subiu nesta quinta-feira. Foi a primeira alta desde 8 de março.

No entanto, a valorização foi bem modesta. A moeda terminou a jornada com leve alta de 0,16%, a R$ 1,766 na compra e R$ 1,768 na venda.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o dólar avançou 0,23%, para R$ 1,767. O volume subiu de US$ 64 milhões para US$ 94,25 milhões. Já no interbancário, os negócios permaneceram na casa dos R$ 3 bilhões.

Segundo o gerente de câmbio da Treviso Corretora de Câmbio, Reginaldo Galhardo, existe certa aversão a risco no mercado depois dos comentários de agências de rating sobre perigos latentes envolvendo as economias desenvolvidas.

O recado é que a nota "AAA", maior da estala, está garantida, mas existem incertezas que podem influir de forma negativa nas economias dos Estados Unidos, Grã-Bretanha e Alemanha, entre outras.

"Isso leva o investidor conservador a sempre ficar mais próximo do seu capital e/ou fazendo hedge", notou Galhardo, justificando essa resistência à queda de preço do dólar ante o real.

No entanto, o especialista também nota alguns posicionamentos exatamente contrários. Como investidores que entram com dólares no país para comprar títulos e lucrar com a possibilidade de alta na taxa básica de juros brasileira.

Ainda de acordo com Galhardo, esse equilíbrio entre compras e vendas fica evidenciado pela baixa oscilação da moeda. Nos últimos pregões o dólar não oscila mais de R$ 0,010 entre máxima e mínima. "O pessoal sabe o que está fazendo."
No câmbio externo, o dólar perdeu valor para o euro e para a libra conforme as commodities, como o petróleo, ganharam valor e as bolsas de valores apresentaram valorização.

A divulgação do desfecho da reunião do Federal Reserve (Fed), banco central americano, também não teve grande influência no câmbio local. Conforme o esperado, a taxa básica de juros foi mantida entre zero e 0,25% ao ano.

No comunicado, o Fed manteve o inalterado o parágrafo no qual aponta que os juros devem seguir excepcionalmente baixos por um longo período de tempo.

Como em janeiro, a decisão não foi unânime. Thomas M. Hoenig, do Fed de Kansas, voltou a discordar, apontando que essa sentença sobre juros baixos por muito tempo deveria ser retirada do comunicado, pois ela pode levar a desequilíbrios financeiros e elevar os riscos à estabilidade macroeconômica e financeira no longo prazo.

(Eduardo Campos | Valor)

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